Olhos nos Olhos
Sunday, June 10, 2018
 
por dentro
 
 
...   o que mais custa a suportar não é a derrota ou o triunfo,
 
mas o tédio, o fastio, o cansaço, o desencorajamento.
 
Vencer ou ser vencido não é um limite.
 
O limite é estar farto.
 
 
Vergílio Ferreira
Conta-Corrente 5
 

 
Tuesday, April 17, 2018
 
embalo da alma no refúgio do fado nosso
 
 
 
https://www.youtube.com/watch?v=cHcJPI6T6eQ
 
Sunday, April 15, 2018
 
 lula e quejandos :
 
 
https://observador.pt/opiniao/cronica-sobre-uma-cronica-sobre-o-sr-lula/
 
Thursday, April 12, 2018
 
a maior desgraça de uma nação pobre :
 
em vez de produzir riqueza, produz ricos.
mas ricos sem riqueza.
na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos mas de endinheirados.
rico é quem possui meios de produção.
rico é quem gera dinheiro e dá emprego.
endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro.
ou que pensa que tem.
porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele.
...  ... ... ...
Mia Couto
Pensatempos
 
Monday, April 02, 2018
 
páscoa agnóstica
 
 
na íntima procura de um " Deus " que não seja um acaso geográfico ... ... ...
 
Wednesday, March 28, 2018
 
tu
 
quantas vezes, uma forma de tratamento falsamente próxima ... ... ...
Monday, March 12, 2018
 
laços
 
  a amizade homem-mulher pressupõe alguma antipatia física ... ... ...
 
 
Saturday, February 24, 2018
 
por dentro
 
Nós
 
Não precisávamos de falar. Como ele dizia
– Tu sabes sempre o que eu estou a pensar e eu sei sempre o que tu estás a pensar
mas muito pouco tempo antes de morrer veio ter comigo e passámos a tarde juntos, sentados lado a lado no sofá. Foi ele quem falou quase sempre, eu pouco abri a boca.
Mostrou-me os braços, o corpo
– Estou miserável
sabia que ia morrer dali a nada e comportou-se com a extraordinária coragem do costume. Coragem, dignidade e pudor. A certa altura
– Para onde queres ir quando morreres?
respondi
– Para os Jerónimos, naturalmente.
Ficou uns minutos calado e depois
– Tu acreditas na eternidade.
Disse-lhe
– Tu também.
Novo silêncio.
– Eu quero ser cremado e que ponham as cinzas na serra, voltado para a Praia das Maçãs.
Novo silêncio. A seguir
– Vou morrer primeiro que tu. Vou morrer agora.
Mais silêncio. Eu
– Ganhei-te outra vez.
ele
– É.
Ele
Ganhamos sempre os dois.
Eu
– Porque é que a gente gosta tanto um do outro?
Ele silêncio antes de
– Se me voltas a falar de amor vou-me embora.
eu
– Sabes onde é a porta.
Mas não voltámos a falar de amor. Para quê? Estava ali todo. Depois quis ver os livros
– Para aí vinte mil, não?
eu
– Mais ou menos, incluindo os muitos que encontrei numa livraria de segunda mão, assinados por ti.

Silêncio. Eu
– Não podia suportar a ideia de que outras pessoas tivessem em casa os livros do meu irmão.
Gesto vago. Depois ele
– António
e silêncio, depois eu
– João
e silêncio. Ou seja um diálogo de amor compridíssimo. Depois
– Se os pais cá estivessem
e esta frase fez-me compreender melhor a sua imensa dor. A mãe para quem a inteligência, num homem, era a forma suprema de sensualidade. E um rabo grande a coisa mais feia deste mundo. Um homem inteligente, na sua opinião, era atraentíssimo.
– Um homem bonito e estúpido ao fim de um quarto de hora não existe
e ainda bem porque, assim, talvez tenhamos algumas chances com ela. A mãe, ainda
– Desafio qualquer mulher no mundo a ter filhos tão inteligentes como os meus.
E ele continuou a falar:
– Depois eu fui para Nova Iorque e tu para África.
Numa altura, depois de África, em que ele estava a sofrer muito meti-me num avião e fui para casa dele. Durante o dia ele trabalhava no hospital e eu ficava às voltas com o Fado Alexandrino. Depois jantávamos juntos e comíamos uns gelados enormes que ele trazia a vermos os play-offs do basquete.
Um de nós
– E jogam com humor
o que é tão raro no desporto. Aos sábados um bocado numa discoteca. Camisas cheias de baton. A certa altura olhou, do sofá, para a estante mais próxima: Um livro de Marcel Pagnol. Ele
– A nossa infância toda.
E eu com vontade de tocar-lhe. Claro que não toquei. As suas mãos, que conhecia tão bem, poisadas nos joelhos. Embora impassíveis estávamos demasiado emocionados.
Ele
– De qualquer modo não nos perdemos um ao outro
eu, depois de um silêncio compridíssimo
– Nunca nos perdemos, não é agora que isso vai acontecer.
Ele
– Vou chamar um taxi.
Silêncio.
Ele
– Acompanhas-me lá abaixo?
Entre a casa e a rua uma distância grande. Era o fim do dia, já não estava muito sol. O taxi à espera no passeio. O chofer, a quem ele operara a mãe, veio abrir-lhe a porta do carro. Ele voltou-se para mim e disse o meu nome. Eu aproximei-me dele e disse o seu. Abraçámo-nos com muita força e, de repente, começou a chorar. Só sentia ossos nas minhas mãos. Mas nada de mariquices, claro, sobretudo nada de mariquices.
Ele
– Não digas a ninguém que chorei.
E sentou-se no banco ao lado do chofer, sem olhar para mim. Não olhámos um para o outro, aliás, mas nunca nos vimos tão bem. O carro foi-se embora. Fiquei na borda do passeio até que desapareceu. E então, de mãos nos bolsos, voltei para casa. Nunca houve um abraço assim no mundo.

A.Lobo Antunes

 
Sunday, February 11, 2018
 
crueldade na matriz feminina :
 
 
https://www.youtube.com/watch?v=DSHMESTFIwY
 
(uma causa para as estrelas de Hollywood e equiparadas "vitímas de  assédio")
 
Tuesday, January 02, 2018
 
um degrau para o céu !
 
 
https://www.youtube.com/watch?v=Jhw8dw-Ejdg
 
Thursday, December 28, 2017
 
um cansaço, um nojo trágico ...
 
 
https://www.facebook.com/ObservadorOnTime/videos/10213454617271885/?fref=mentions
 
Monday, November 20, 2017
 
destinos (românticos) de outrora
 
ele deixará o escritório.
ela abandonará a escrita.
e, se deus quiser, ambos morrerão de outra fome.
 
Thursday, October 19, 2017
 
por dentro ...
 
 
aprende-se, com a dor da alma, o que a felicidade não ensina
 

 
Friday, October 06, 2017
 
quantos silêncios
 
 
esperam ser ouvidos ? 
 
Monday, July 24, 2017
 
delicadeza ...
 
 
 a pontualidade é chegarmos juntos
 
 
 
Marcello Duarte Mathias
Brevíssimo Inventário

 
Monday, July 10, 2017
 
um pedaço de história vivida e contada assim :
 
 
https://www.youtube.com/watch?v=ldAZall6XFI
 
Friday, June 16, 2017
 
 
não comenta ?
 
comentar o nada é dar-lhe existência.
 
Thursday, June 01, 2017
 
um vazio assim:
 
 
Espero, espero, mas o quê ?
 
A embriaguez de um momento
 
seguida de um vazio infinito.
 
A  minha sina foi sempre esta:
 
nunca matar a sede, enganá-la.
 
 
 
M. Torga (diário XII,coimbra, p.90 )
 
Sunday, April 30, 2017
 
na verdade,
 
o que acontece  na infância,
não fica na infância ... ... ...
 
Tuesday, March 07, 2017
 
amar pelos dois ...
 
o triunfo da melodia e do singelo,
sobre os ruídos sonoros e coreográficos !
 
https://www.youtube.com/watch?v=EJ8vnzQBjnI
 
Sunday, December 11, 2016
 
o guia michelin é um insulto à cozinha portuguesa !
 
 
Estamos na época dos prémios e das galas. Há prémios para todos os gostos e galas para os apresentar com grande aparato. Galas para os prémios de cinema, para os prémios de literatura, para os prémios de jornalismo, para os prémios de futebol, para os prémios de restaurantes, etc. Uma fartura.
 
Há duas semanas realizou-se em Espanha uma gala para anunciar as estrelas Michelin 2017. Não me lembro de que as estrelas fossem anunciadas numa cerimónia pública – mas admito que tenha andado desatento. O certo é que esta gala teve para nós, portugueses, significado especial, pois vamos ter 26 estrelas Michelin no próximo ano: 5 restaurantes com duas, e 16 com uma.

Portugal encheu-se de orgulho. Mas não nos precipitemos: entre os 21 restaurantes contemplados não há um único que sirva cozinha tradicional portuguesa. Aliás, entre os 20 chefs distinguidos, há 6 estrangeiros: Benoit Sinthon, Hans Neur, Dieter Koschina, Joachim Koerper, Miguel Laffan, Willie Wurger e Sergi Arola.

Apesar de Bruno Martins dizer no último B.I. que «a identidade de cada país parece ter ganho importância aos olhos dos inspetores do Guia Michelin», eu penso exatamente o contrário. Os inspetores do Michelin desprezam olimpicamente a identidade de cada país.

Conheço alguns restaurantes premiados com estrelas e devo dizer que não guardo de nenhum deles boas recordações.

 Num, serviram-me como sopa um caldo incolor com um fígado de pato a boiar. O líquido não tinha qualquer sabor e pensei que o segredo estaria no fígado. Meti-o na boca, trinquei-o, mastiguei-o, mas aquilo parecia sola de pneu. Por mais que fizesse não consegui destruí-lo. Como era um jantar de cerimónia, não podia devolver o fígado ao prato. Engoli-o então inteiro e tive uma sensação horrível: pensei que ia sufocar. Vi-me aflito – mas finalmente o fígado lá passou pela garganta, qual Cabo das Tormentas, e pude sossegar.

Noutro restaurante premiado pedi um borrego assado. Veio uma pasta apresentada como se fosse um pudim, feita numa forma, colocada no centro do prato. Julgo que era carne de borrego desfiada aglutinada com uma matéria que não identifiquei. Em cima do ‘pudim’, dois pedacinhos mínimos de borrego mal passados e um pé de hortelã a enfeitar.

Noutro restaurante de nouvelle cuisine – este não premiado – pedi um caldo verde, que aliás estranhei ver na lista. Trouxeram-me o dito, acrescentando que depois viria o chouriço. Qual não é o meu espanto quando se aproxima uma empregada com uma lata de spray na mão e deita um esguicho para dentro do prato. De facto sabia a chouriço. Mas com franqueza, um chouriço em spray…

Nestes restaurantes, antes da refeição, vem geralmente um empregado apresentar uma ‘sopa’ com grande pormenor. Após cinco minutos de conversa, põe à nossa frente um dedal – rigorosamente um dedal – com um líquido que mal conseguimos saborear mas que, de acordo com as boas maneiras, temos de dizer que é bom.

Portugal tem uma cozinha riquíssima, das melhores do mundo.

E não digo isto por patrioteirismo. Vivi em França vários períodos e conheço boa parte da Europa, estive no Japão, estive na Índia, estive no Paquistão, estive em Macau, estive na Costa Leste e Oeste dos EUA, estive no Norte de África e no Sul de África, estive no Brasil – e experimentei muitas cozinhas. E digo: a cozinha portuguesa é excecional. É muito variada – tem marisco, tem peixe, tem carne – e é muito inventiva. Basta ver as 100 maneiras de cozinhar bacalhau. Temos pratos cozidos, fritos, grelhados, guisados, assados no forno… Temos legumes que proporcionam excelentes saladas frescas. Ora, com isto, será normal que os inspetores da Michelin venham cá e só premeiem a nouvelle cuisine, a cozinha francesa, muito sofisticada mas muito menos genuína e variada do que a nossa?

É certo que são franceses – mas o Guia não pretende ser universal? Ou é um guia para franceses em viagem pelo estrangeiro?

Peço desculpa, pela afirmação, mas: o Guia Michelin é um insulto à nossa cozinha. Alguns restaurantes que conheço e servem ótima cozinha portuguesa – O Polícia, o Gambrinus, o Solar dos Presuntos ou o Pabe em Lisboa, o Porto de Santa Maria no Guincho, o Fialho, a Tasquinha do Oliveira ou o Botequim da Mouraria em Évora, a Maria no Alandroal, o Xana na Aldeia da Serra (Redondo), o Isaías em Estremoz, a Bolota na Terrugem (Elvas), o Capelo ou o Baixa-Mar em Santa Luzia (Tavira) – são pura e simplesmente desprezados pelos inspetores.
Para já não falar no Gigi, da Quinta do Lago, onde nunca fui mas que já me ofereceu inigualáveis iguarias na sua casa de Lisboa

Mas o Guia Michelin nem é bom para os franceses. Quando eles vêm cá, o que querem: conhecer a cozinha portuguesa ou comer a comida francesa que conhecem de ginjeira?

Julgo que os portugueses, em vez de exultarem com as 26 estrelas Michelin, deviam desprezar este guia – que nos despreza. Com a marca Michelin, bons só são os pneus.

J.A.Saraiva
Sol 7.12.06

 
Sunday, July 31, 2016
 
por dentro
 
gosto de alguém em quem
 
" a sensibilidade se confunde com a inteligência,
para formar uma terceira faculdade da alma,
infiel às definições "
 
 

F.Pessoa
(a propósito de
Luiz de Montalvor,
fundador da editora
Ática)

 
Monday, June 13, 2016
 
....   ......  la bohême   ... ...   la bohême .... ....
 
que bem que sabe ao paladar do ouvido e da alma, assim :
 
https://www.youtube.com/watch?v=Oj-3hk2L7MQ
 
e assim :
 
https://www.youtube.com/watch?v=ZAinaET8NlQ
 
merci   Monsieur  Aznavour !
 
 
Tuesday, April 26, 2016
 
 
la musica ...  la vita  ...  !!!
 
 
http://spettacoli.tiscali.it/video/detail/?id=277876
 
Monday, February 29, 2016
 
da vida e da morte ... ...
 
... lembro-me de ser criança e ver a minha mãe a dançar o charleston, sozinha, sem música, e eu encantado a vê-la. Era pequenina, bonita, parecia uma miúda, se íamos ao restaurante sozinhos com ela o empregado a recolher-lhe a ementa depois dela dizer o seu prato perguntava
 
- e para os irmãos da menina ?
 
Quando a minha mãe estava morta na igreja e os filhos por ali esperei que entrasse um empregado de lacinho e colete às riscas inclinando-se para o caixão
 
- e para os irmãos da menina ?
 
Mas não veio nenhum. Só gente de olhos pesados ... ... ... com apertos de mão graves e sérios, que nunca a viram dançar o charleston.
 
A.Lobo Antunes,Visão,18.02.16
 
Wednesday, January 20, 2016
 
  ... ...  e a vida a navegar por entre o sonho e a mágoa  ... ...
 
https://www.youtube.com/watch?v=T1G0siH6FbQ
 
 
 
Monday, October 12, 2015
 
por dentro
 
... ... ...  este estar onde não estou  ... .... ...
 
Saturday, September 19, 2015
 
Bom  Direito :
 
http://observador.pt/2015/09/18/gravacoes-secretas-zeinal-ex-gestores-da-pt-aceites-prova/
 
Thursday, April 30, 2015
 
por dentro . . .
 
Enquanto não atravessarmos a dor da nossa própria solidão,
continuaremos a buscar-nos em outras metades.
Para viver a dois, antes, é necessário ser um.
 
Pessoa ?
 
Monday, March 30, 2015
 
um canto de Portugal Primavera
 
 
http://azenha.wix.com/casasdaazenha
 
Tuesday, March 17, 2015
 
um outro olhar  Portugal
 
https://www.youtube.com/watch?v=jUd-_WkFd7I#t=18
 
Monday, March 02, 2015
 
nocturno  ... ... ...
 
https://www.youtube.com/watch?v=YGRO05WcNDk
 
                                                                                                                                                                         Chopin
(01.3.1810 - 17.10.1849)
 
Saturday, January 17, 2015
 
Miguel Torga
(12.08.1907 -17.01.1995)

                                                     ... ... pego na pena com o escrúpulo com que pego no bisturi.
                                                                (...)


Não é uma boa prosa que ambiciono, mas sim uma
claridade gráfica.
 
Gostaria de restituir às palavras a alma que lhes roubaram, e que a língua tivesse nas minhas mãos, além da graça  possivel, uma dignidade insofismável. 
(...)
 
Que cada frase, em vez de um habilidoso disfarce, fosse  uma     sedução e um acto.
 
Uma sedução sem condescendências, e um acto sem
subterfúgios.

Para tanto, limpo-a escrupolosamente de todas as
impurezas e ambiguidades, na porfiada esperança de que
a sua claridade se veja e se entenda.

E a vejam e entendam, sobretudo, os que não são
profissionais da literatura.
(...)
Diário Vlll-1958
 
Saturday, January 03, 2015
 
quem me quiser
 
quem me quiser há-de saber as conchas
as cantigas dos búzios e do mar.
quem me quiser há-de saber as ondas
e a verde tentação de naufragar.

quem me quiser há-de saber a espuma
em que sou turbilhão, subitamente
ou então não saber coisa nenhuma
e embalar-me ao peito, simplesmente.
... ... ...
António Pelarigo (Rosa Lobato Faria/José Cid)
            https://www.youtube.com/watch?v=-dpmDxfoFPo
 
Monday, December 29, 2014
 
natal sem pai natal ...
 
" É tão grande a diferença entre o Natal do Menino Jesus e o Natal dos Pais Natal.
É a diferença entre o sentimento e o objeto, entre a afetividade e a aquisição, entre a generosidade e o interesse.
É sobretudo, a diferença entre o despojamento da verdade anunciada e a maior operação de marketing de cada ano que passa."

 
José Luís Seixas
Destak, 18.12.2013
 

 
Wednesday, December 24, 2014
 
natal sem pai natal ...

com um menino jesus de encantar
 
https://www.youtube.com/watch?v=gWI1gs0dJYk
 
Wednesday, December 17, 2014
 
agora já é tarde ...
agora nunca é tarde ...
 
" ... ... ...  pois que nos cumpramos ao menos agora até ao fim ... ... ... "

https://www.youtube.com/watch?v=oTipo7y-pC8
 
Monday, December 01, 2014
 
 da independência
 
repôr um feriado, para comemorar a restauração da independência de Portugal em 1640 face ao domínio espanhol, é necessário mas não é suficiente :
 
- não nos liberta   do sufoco da divida e da continua  mão estendida aos empréstimos ...
- não nos liberta da humilhante subserviência ao  dinheiro sujo ..
- não nos liberta do "dogma" do euro ...
- não nos liberta da repetida e esmagadora  partidarite ...
 
 
Tuesday, November 25, 2014
 
uma verdade contra  " pulhíticos " :

"no dia em que eu abandonar  o poder, quem virar os meus bolsos do avesso, só encontrará pó"

Salazar (15.08.1968)
 
 
Wednesday, November 19, 2014
 
acordem os fadistas ... ... ... ....  acordem as guitarras ... ...
 
https://www.youtube.com/watch?v=ZZGWpwzPyyU
 
porque
 
sou do fado !!!
 
https://www.youtube.com/watch?v=lh9YHtZzHfk
 
Monday, November 17, 2014
 
Golegã ...  ... ...
com discreto e inédito charme


Golegã 2013 - Beleza
 
Monday, November 10, 2014
 
homeopatia - um caso surpreendente
 
carta aberta a Carlos Fiolhais
 
Caro colega,
 
O texto assinado por si que saiu no PÚBLICO de 5 de Novembro com o título de “Ciência diluída”

 deixou-me profundamente zangado: o seu ataque à homeopatia não tem pés nem cabeça, é

insultuoso, mentiroso, e demonstra uma ignorância inacreditável porque a homeopatia começa a ser

 levada a sério pela medicina convencional em todo o mundo e há protocolos homeopáticos em uso e

 experimentação pelos mais rígidos e incrédulos cientistas das mais perfiladas instituições académicas e hospitalares.

Houve um dia em que acordei de manhã com um alto no pescoço. Verifiquei com o meu dentista: não

 tinha nada que ver com dentes. Depois fui ao meu otorrino: “O senhor tem uma massa na faringe”.

 Fui fazer um TAC: era um cancro de grau IV – ou seja, letal. Metástases na cadeia linfática, etc.

 Consultei vários oncologistas aqui e ali e até acolá (no estrangeiro): três a quatro meses de vida.  As

armas deles, nucleares (rádio), químicas e convencionais (cirurgia), não se aplicam no meu caso,

 disseram-me com grande honestidade. Só serviriam para atrasar o progresso do cancro... e para me

deixar sem maxilar, com um cateter metido na garganta para poder comer e respirar, além dos habituais vómitos, enjoos, queda de cabelo, etc.

Isto foi no final de Maio de 2012. Há dois anos e meio. Neste intervalo de tempo, escrevi e publiquei

 dois romances, organizei e também publiquei uma colectânea de crónicas, tenho aqui no computador

 mais dois romances acabados e um pequeno livro de contos. Passeei, fui à praia, brinquei com os

meus netos e os meus cães, fiz companhia à minha mulher, estive com amigos, escrevi sobre arte para

 o PÚBLICO. Não me caiu cabelo, não tive vómitos. Em poucas palavras: tenho dois anos e meio de

 qualidade de vida por cima da sentença de morte ditada pelos oncologistas da medicina oficial.

Já toda a gente que estiver a ler esta carta terá adivinhado o que vou escrever a seguir: sim, tenho sido

 acompanhado pela medicina homeopática, os seus tratamentos, os suplementos alimentares que

prescreve e uma revisão radical da minha alimentação. Ninguém me prometeu milagre nenhum.

Estou vivo e activo há dois anos e meio, leu bem Doutor Fiolhais. O conselho que lhe dou é que esteja calado acerca daquilo de que não sabe nada.

Com os melhores cumprimentos
Paulo Varela Gomes (Prof. reformado da Universidade de Coimbra) - Público  8.11.2014

textos relacionados:
http://www.publico.pt/ciencia/noticia/ciencia-diluida-1675128
http://www.ionline.pt/iopiniao/assunto-pseudociencia-na-faculdade-farmacia

 
Wednesday, October 29, 2014
 
informações e reflexões sem o vírus da partidarite ... ... ...
 
http://www.tvi24.iol.pt/opiniao/comentador/medina-carreira/53f657550cf2103fd4492901/videos/1

http://www.tvi.iol.pt/programa/olhos-nos-olhos/4407
 
Monday, October 20, 2014
 
tabacaria

não sou nada
nunca serei nada
não posso querer ser nada
à parte isso
tenho em mim todos os sonhos do mundo
...  ... ...
acendo um cigarro ...
e saboreio no cigarro
a libertação de todos os pensamentos
sigo o fumo como uma rota própria ...
 
http://www.youtube.com/watch?v=0jjE-2FqqpM
 
Thursday, October 16, 2014
 
carta aberta
 
Ninguém me encomendou o sermão, mas precisava de desabafar publicamente. Não posso mais com

 tanta lição de economia, tanta megalomania, tão curta visão do que fomos, podemos e devemos ser

 ainda, e tanta subserviência às mãos de uma Europa sem valores (...).


Torga ( Diário XVI)

 
Monday, October 13, 2014
 
a  " portugalidade "  na boca mercenária de um "guru" da gestão ruinosa :
 
http://www.youtube.com/watch?v=XcnXMyGS0Xo.
 
" quem é sujo, suja o que diz " (Torga)
 
 
 
Tuesday, October 07, 2014
 
nobreza :
 
 
 
D. Carlos
 
Sunday, October 05, 2014
 
da  república e da bandeira
 
 
O observador imparcial chega a uma conclusão inevitável: o país estaria preparado para a anarquia; para a República é que não estava.
 
(...)
 
Bandidos da pior espécie (muitas vezes, pessoalmente, bons rapazes e bons amigos – porque estas contradições, que aliás o não são, existem na vida), gatunos com seu quanto de ideal verdadeiro, anarquistas-natos com grandes patriotismos íntimos, de tudo isto vimos na açorda falsa que se seguiu à implantação do regime a que, por contraste com a Monarquia que o precedera, se decidiu chamar República.
(...)
 
A Monarquia havia desperdiçado, estúpida e imoralmente, os dinheiros públicos. O país, disse Dias Ferreira, era governado por quadrilhas de ladrões. E a República que veio multiplicou por qualquer coisa - concedamos generosamente que foi só por dois (e basta) - os escândalos financeiros da Monarquia.
 
 A Monarquia, desagradando à Nação, e não saindo espontaneamente, criara um estado revolucionário. A República veio e criou dois ou três estados revolucionários.
(...)
 A Monarquia não conseguira resolver o problema da ordem; a República instituiu a desordem múltipla.
 
(...)
 
E o regime está, na verdade, expresso naquele ignóbil trapo que, imposto por uma reduzidíssima minoria de esfarrapados morais, nos serve de bandeira nacional – trapo contrário à heráldica e à estética porque duas cores se justapõem sem intervenção de um metal e porque é a mais feia coisa que se pode inventar em cor.
 Está ali contudo a alma do republicanismo português – o encarnado do sangue que derramaram e fizeram derramar, o verde da erva de que por direito mental devem alimentar-se.
 
" Da República "  Pessoa
 
Monday, September 29, 2014
 
... ...   há, nos meus olhos, ironias e cansaços ... ... ...
 
 
https://www.youtube.com/watch?v=qKyWRJZnu2o
 
 
 
 
 
 
 
Tuesday, September 23, 2014
 
 ... ... ...  na sala , onde tanta gente aguarda , só os olhos gritam  ...


http://www.youtube.com/watch?v=bpcarxaU6D0


 


 
Monday, September 22, 2014
 
interior dois
 
 
 
 
dói-me quem sou.
 
 
Pessoa
 
 
Monday, September 15, 2014
 
interior um

 

 
quanto fui,
 
quanto não fui,
 
tudo isso sou.
 
 Pessoa
 
 
 
 
Monday, September 08, 2014
 
 
 
                                                                  quando eu morrer
                                                                     voltarei para buscar
                                                                              os instantes que não vivi
                                                            junto do mar
 
Sophia
 
Friday, August 29, 2014
 

                                    o mar é a religião da natureza
 
 
 Pessoa    
 
Thursday, August 28, 2014
 
 
 
 
 

M 5 H 0 ... ... .... francamente !!!
 
https://www.facebook.com/video.php?v=10152640113109148&set=vb.668509147&type=3&theater
 
 
 
Saturday, July 19, 2014
 
a diferença entre a " beleza " e a verdade :
 
o relatório e contas 2013 do BES

http://www.bes.pt/sitebes/cms.aspx?plg=a3799953-bb24-4a96-860b-9ebcf88e76ec

http://www.bes.pt/sitebes/cms.aspx?plg=442498ee-f0a2-4274-a621-475026214a74
 
 http://www.bes.pt/sitebes/cms.aspx?plg=132fa536-4873-4168-92ad-2db01b31b666
 
e uma parte ( apenas uma parte ... ) da verdade oculta :
 
http://www.publico.pt/economia/noticia/bes-tem-exposicao-de-1200-milhoes-a-empresas-do-grupo-espirito-santo-1662462
 
Wednesday, June 18, 2014
 
"  fadopiano  "
 
 
https://www.youtube.com/watch?v=Jyn1QojOn7o
 
 
Wednesday, May 07, 2014
 
do amor e da vida ...
 
 
Camille Claudel -A Valsa
a valsa (Camille Claudel)
 
Sunday, April 27, 2014
 
 
           do amor e da morte         
 
quando eu morrer murmura esta canção
que escrevo para ti. quando eu morrer
fica junto de mim, não queiras ver
as aves pardas do anoitecer
a revoar na minha solidão.

quando eu morrer segura a minha mão,
põe os olhos nos meus se puder ser,
se inda neles a luz esmorecer,
e diz do nosso amor como se não

tivesse de acabar, sempre a doer,
sempre a doer de tanta perfeição
que ao deixar de bater-me o coração
fique por nós o teu inda a bater,
quando eu morrer segura a minha mão.
 
Vasco Graça Moura (3.01.1942-27.04.2014)
soneto do amor e da morte, " Antologia dos Sessenta Anos", Ed. Asa, 2002
 

 

 
Friday, April 25, 2014
 
 
Salazar
 
Apesar dos pesares, inteligente, coerente, honesto e modesto, ao contrário de inúmeros "abrileiros " .
 
Thursday, March 27, 2014
 

 
 


 
 
aproveite-se esta transcrição para a audácia de uma moeda nacional ...
 
Friday, February 07, 2014
 
OH  GENTE  DA  MINHA  TERRA  !!!
 
http://www.youtube.com/watch?v=G4cyNK3BW7Q
 
Monday, December 23, 2013
 
Outro  " fado "  no  " nosso fado "
 
http://www.youtube.com/watch?v=IpabZlUqN9k
 
Friday, May 24, 2013
 
Fado
 
... ... ...    à  procura  de  uma  noite  menos  escura    ... ... ...

http://www.youtube.com/watch?v=N9PYjQ-qS5c

 http://www.youtube.com/watch?v=4hpc0cjBCIA
 
 
 
Monday, September 24, 2012
 
para reflexão
 

João Ferreira do Amaral deixou claro no início da entrevista que queria mais do que debater a polémica medida da taxa social única – queria “falar destes programas de ajustamento da troika”. Cumpriu. O economista não acredita na correcção violenta e rápida dos desequilíbrios acumulados pelo país ao longo de anos e critica duramente os pressupostos técnicos subjacentes aos programas da troika: “Não funcionam”, são “absurdos”, “um disparate” e “um erro brutal”. Um dos mais conhecidos eurocépticos do país, Ferreira do Amaral considera que, mesmo com a margem que acredita existir na Europa para alterar os programas, a economia portuguesa já não tem tempo para a reestruturação de que precisa para crescer sem sair da zona euro.

A medida pretende substituir o efeito de uma desvalorização cambial. O primeiro-ministro comparou-a com a desvalorização cambial feita com o FMI no programa de 1983. A medida é um substituto?

Não é um substituto da desvalorização cambial, isso é um erro comum. Tentar substituir uma desvalorização cambial por uma medida de redução de salários é um erro, aliás, destes programas de estabilização com a troika. As medidas têm consequências diferentes. O primeiro-ministro fez alguma confusão entre desvalorização cambial e queda do nível de vida. A desvalorização cambial no programa de 1983 foi da ordem dos 20%, mas a queda dos salários reais não chegou a 8%. Uma coisa é a moeda desvalorizar-se, outra é o nível de vida baixar. É falso dizer que, nesse caso, o nível de vida desceu 20%. Os salários reais desceram cerca de 8%, o que é bastante menos do que será se a medida da TSU for para diante.

Não é o mesmo em termos de impacto no rendimento e de efeito na economia?

A medida da TSU não é a mesma coisa que a desvalorização cambial por várias razões. Em primeiro lugar porque a redução salarial é a mesma para todos os sectores e não privilegia os bens transaccionáveis. Por isso é muito pouco eficiente. Nas exportações o peso directo e indirecto dos salários – directamente dos sectores exportadores, mais o peso dos sectores que produzem bens para os sectores exportadores – é da ordem dos 30%. Uma descida de menos de 6% da Taxa Social Única [5,75%] não chega a 1,8% de melhoria de competitividade, o que é irrisório. Porquê? Porque essa descida é distribuída por todos os sectores e como tal o impacto nos sectores de bens transaccionáveis é pequeno. A desvalorização cambial, pelo contrário, incide sobre bens transaccionáveis. É uma espécie de subsídio que se dá a esses sectores no imediato e é um bom incentivo para os empresários investirem nesse tipo de sectores. Em segundo lugar também são diferentes os efeitos sobre a riqueza: quando há uma desvalorização cambial todos sofrem em relação ao exterior uma desvalorização, quer nos rendimentos do trabalho, quer nos outros, incluindo o próprio património. Aqui não: todo o ajustamento cai sobre os salários.

Falou de uma queda de 8% dos salários reais em 1983 na sequência de desvalorização cambial – como compara com a medida hoje em discussão?

Se os salários descessem 7% – que na realidade é um pouco mais – e se somarmos o efeito preços – 2% a 3% de inflação – iríamos aos 10% de perda de salário real. É mais do que em todo o programa de ajustamento de 1983/84. Com a agravante de não resolver nada. E com a agravante adicional, muito pouco discutida, de que uma desvalorização do rendimento das famílias é muito perigosa em termos de equilíbrio financeiro porque as famílias estão muito endividadas, coisa que não se via em 1983. Se estamos a reduzir drasticamente o rendimento das famílias – e isso já se notou no caso dos funcionários públicos – estamos a aumentar muito as condições para o incumprimento, além de criarmos um problema social muito grave. Outro dos erros destes programas de estabilização é não terem em conta o que chamamos efeito riqueza negativo. As famílias estão muito endividadas o que leva a que qualquer descida de rendimento se amplifique muito mais no consumo.

E neste momento as Euribor estão historicamente baixas…

Sim, só podem subir a partir daqui. Esse é um risco adicional.

Esta medida serve para fintar o chumbo do Tribunal Constitucional…

… mas havia outras formas de o fazer.

Como?

A forma é o IRS, ponto final. É o mais justo, mais simples e além disso não criaria resistências, toda a gente compreenderia. É mais justo porque é progressivo: quem tem mais paga uma taxa maior. Não percebo porque se está a fazer isto [da TSU]. Na entrevista que deu, a Dra. Manuela Ferreira Leite chamou a atenção para este aspecto e bem: as pessoas estão a pagar não de acordo com os seus rendimentos, como a Constituição obriga, mas de acordo com o estatuto que têm. Isto é uma concepção medieval. Agora os reformados pagam x, os funcionários pagam outro x. É uma regressão de séculos em termos de base de incidência fiscal. As sociedades civilizadas tributam de acordo com o rendimento ou segundo o património.

Além da questão do chumbo do Tribunal Constitucional, o governo tentou matar dois coelhos ensaiando uma desvalorização fiscal. Isto traz-nos à discussão sobre a viabilidade que Portugal tem dentro da zona euro com muito poucos instrumentos.

Acho que não tem, por isso é que tenho proposto a saída. Mas, fazendo um esforço para evitar isso, há uma coisa que convém evitar: pensar que uma desvalorização fiscal é equivalente a uma desvalorização cambial. Não é e não resolve o problema. O problema da competitividade, supondo que continuamos sem moeda própria, só pode ser resolvido gradualmente. Por isso estes programas de ajustamento são um erro brutal ao quererem uma terapia de choque que não resolve nada. O que é adequado para estas situações são programas que garantem que a economia vai no bom caminho durante algum tempo, apoiando-a durante esse tempo. Só há uma hipótese de sem moeda própria a economia reequilibrar a sua balança de pagamentos – não falo deste equilíbrio insustentável.

Que é conjuntural?

Tem a ver com uma quebra da procura interna que não é sustentável. Só há uma forma: é ir reformulando a estrutura produtiva para incentivar a produção de bens transaccionáveis. Isso com uma desvalorização cambial faz-se logo. É rápido. Na sua ausência tem de dirigir as políticas – a fiscal, a de crédito, etc. – para privilegiar a produção de bens transaccionáveis. Estes programas [da troika] são um disparate. Aliás, vê-se claramente: é difícil imaginar um programa tão ineficiente como o português. Portugal fez uma subversão completa dos rendimentos, com aumento brutal de desemprego, e no fundo o défice orçamental desce 1,5% em relação a 2011. Para o ano não acredito que se cumpra [o objectivo de 4,5% para o défice] com esta política, mas se cumprir é uma descida de 0,5%. É das maiores ineficiências que encontro e a meu ver resulta de a troika ter concepções que se baseiam em pressupostos económicos errados. Um é que a desvalorização fiscal é a mesma coisa que a desvalorização cambial. Outro é que o emprego só depende dos custos do trabalho quando depende basicamente da evolução da procura interna. Outro ainda é não ter em conta o efeito riqueza de que falei há pouco, motivado pelo grau de endividamento. A troika tem demonstrado uma grande dificuldade em fazer programas que funcionem. Estes não funcionam e já não há desculpa que deram em relação aos gregos, de que eles não cumpriram e são uns valdevinos.

Nós fizemos tudo.

Nós fizemos tudo. Para obter este resultado, por amor de Deus, isto não é nada. Estes programas levam a uma grande iliteracia económica, não estão adequados às situações. E é isso que é importante mudar. Se for mudado e se entrar mais numa concepção de ajustamento gradual da estrutura produtiva, através de medidas estruturais de apoio aos sectores de bens transaccionáveis, nós podemos fazer o ajustamento. De outra forma penso que só nos resta a saída da zona euro.

Um dos problemas, anterior à assinatura do Memorando, tem a ver com falta de liquidez na economia portuguesa. Quando se fala em políticas do lado da procura e em investimento, como é que isso se faz quando Portugal tem acesso escasso a financiamento?

Um programa como eu preconizaria obrigaria a mais dinheiro, inevitavelmente. Desde o início se disse que este montante do programa [78 mil milhões de euros] era insuficiente. E está a revelar-se insuficiente porque está a penalizar demasiado o financiamento da economia. O ministro das Finanças referiu, a meu ver bem, que vai alargar os instrumentos financeiros para o Estado se financiar internamente. Mas, depois, tem uma contrapartida: os bancos têm menos depósitos. Se conseguirem continuar a financiar-se junto do BCE não há problema. Mas em qualquer caso é preciso uma garantia de que há mais dinheiro para sustentar a economia enquanto se reformula a estrutura produtiva. Passámos 15 anos a distorcer a estrutura produtiva.

E vínhamos de uma situação de grande atraso…

Exactamente. Ninguém acredita que em um ou dois anos vamos repor a estrutura produtiva. Estes programas são um absurdo e não admira que falhem mesmo quando se cumpre.

A perspectiva de quem tenta cumprir o programa é de que é necessário ter dois ou três anos de dor profunda para depois podermos voltar a crescer…

… mas economicamente não há nenhuma razão para supor que isso seja assim, pelo contrário vamos regredir. O investimento tem descido brutalmente, prevê-se nova descida para o ano e isso significa que a estrutura produtiva não se reformula. Não há reformulação sem investimento. Essa concepção metafísico-existencial não tem qualquer cabimento em economia. Em economia só interessam os resultados.

Mas há um constrangimento imediato que vem do facto de estarmos na Europa e de aparentemente haver muito pouca margem para mudar de forma significativa a política actual. Concorda que há pouca margem?

Não. Começa a haver alguma margem de manobra à medida que é cada vez mais nítido que estes programas não dão resultado. Não sei se é verdade, mas houve “zuns zuns” de que a troika estaria aberta a um aumento do prazo e até do dinheiro. Infelizmente creio que a posição do governo não é a que seria correcta – cumprir apenas no essencial o programa da troika para manter o financiamento – mas usar o programa como catapulta para uma agenda muito além da troika, em que a redução salarial é o nosso futuro. Quando claramente não é.

Mas, embora não desta maneira, a desvalorização fiscal está no Memorando, não está?

Mas não desta maneira. E principalmente não estava nem esta medida da TSU, nem a hora adicional de trabalho, que depois acabou por cair. Há esta ideia de que a competitividade da economia portuguesa se obtém pela redução salarial. Pelas razões que disse há pouco acho que isso é errado. O governo, pelas suas concepções, não terá incentivo para negociar uma estratégia mais adequada. O facto de Espanha estar em vias de pedir um resgate leva a Europa a pensar que não se pode repetir em Espanha o mesmo que na Grécia e que se está a repetir em Portugal: um programa de resgate que não dá resultado. Se a Espanha entrar numa depressão profunda toda a Europa sofre brutalmente. Aí há margem para se negociar uma política mais adequada de ajustamento.

Mas teremos de cumprir sempre o programa, certo? O Estado português assinou um acordo com os credores e, no meio da tempestade política com a medida da TSU, parece que deixou de haver necessidade de cumpri-lo.
 
Temos de cumprir apenas no essencial para nos mantermos com financiamento. Repare que o Eurogrupo abriu a hipótese de que, se não houver alteração dos objectivos fundamentais, se podem alterar as políticas. Aquilo que apareceu noticiado de que ou era a TSU ou não havia tranche parece que não corresponde à realidade. O que há a fazer é escolher dentro das medidas possíveis aquelas que são mais justas e com melhor efeito sobre a actividade económica. Por outro lado, penso que se devia negociar objectivos orçamentais que sejam exequíveis. Se a recessão se agravar – não será apenas [a contracção de] 1% que o governo pensa tanto mais que as exportações devem ter uma evolução muito desfavorável – então a meta de 4,5% do PIB para 2013 não será exequível. E depois teremos um drama medonho que é de novo dizer que afinal isto não se cumpriu.

Estas metas – a inflexibilidade subjacente ao programa – acaba por matar a credibilidade de qualquer ministro das Finanças?

Penso que sim. Acabam por matar toda a gente. Acaba por matar também a credibilidade das instituições comunitárias. Antes podiam transferir a responsabilidade para os não cumpridores, agora não podem porque Portugal no essencial cumpriu o programa. Portanto, se os resultados não estão adequados é porque o programa estava inadequado à partida como, aliás, muita gente referiu. Isto põe em cheque a credibilidade também do Fundo Monetário Internacional, da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu (BCE). Com uma agravante adicional no que respeita à Comissão Europeia: ao patrocinar estes programas está a ir contra os tratados. Os objectivos da União Europeia não são estes e a Comissão deve estar ao serviço da União. Essa é uma missão que o Parlamento Europeu devia fiscalizar.

Cumprir no essencial como referiu vai implicar – apesar de já irmos mais um ano – implicará sempre mais dor social. Ao rotular o Memorando como um fracasso completo não corre o risco das pessoas deixarem de acreditar que será preciso fazer mais?

Não encontro nenhuma justificação para que a dor seja redentora
.
Quando falo em dor não é no sentido católico da palavra…

[risos] Mas penso que há quem pense assim. Aliás, chamo a atenção que um dos grandes riscos do programa é toda a gente cumprir com grande dor e depois os resultados ficarem longe, como infelizmente está a suceder. Para cumprir o memorando, incluindo alguma negociação para não só mais tempo mas mais dinheiro, há um ponto que pode ser muito melhorado e que não causa dor: a evasão fiscal. Toda a gente fala das gorduras do Estado e que o Estado tem que emagrecer. Mas, se olharmos friamente para os números, e com o ajustamento já feito, a nossa economia tem um sector público inferior à média comunitária, quer em despesa total, quer por tipos de despesa. A própria despesa com pessoal está abaixo da média. O nosso problema não é termos despesa a mais. O nosso problema é outro, conjuntamente com outros países do Sul: temos uma enorme economia paralela. Resultado: a carga fiscal é muito pesada para quem cumpre e leve para quem não cumpre. Esse é o problema base. A prioridade das prioridades era combater a evasão fiscal. Claro que há outros domínios importantes, como as PPP [parcerias público-privadas], mas o que teria efeitos estruturais nas finanças públicas seria criar mecanismos para reduzir a evasão.

Há a opinião de que a evasão fiscal protege muitas empresas que, de outra forma, cairiam. Concorda?

Não. Provavelmente algumas cairiam, mas essas também não interessam. É muito mau quando se começam a encontra justificações económicas para não se combater a evasão fiscal.

Se fosse assim tão fácil e óbvio, porque não se fez?
 
Não digo que seja fácil. Mas justamente por isso é importante que os governos o façam. Se é fácil cortarem nos rendimentos isso não quer dizer que seja justo ou admissível. Nunca ninguém disse que é fácil combater o crime, mas é preciso combatê-lo. Se é aí que está o ponto então vamos mobilizar a sociedade para combater aí. Penso que será possível um acordo político amplíssimo nessa matéria. Agora, tentar resolver o problema cortando onde mais? Há as PPP e as fundações, mas juntando isso tudo é meia dúzia de patacos face ao que é necessário.

O que se prevê no Orçamento do Estado para 2013 são cortes fortes nas maiores rubricas da despesa pública, que são as áreas sociais.

Evidentemente. E então estamos a penalizar as pessoas e a regredir em termos sociais para permitir que haja muita gente que continue a fugir aos impostos. Isso é inadmissível.

A receita adicional chegaria para evitar estes cortes de despesa?

Sem dúvida. Se há países que têm níveis de 10% de economia paralela e se nós temos 25% há muita margem. E do ponto de vista da credibilidade do país era muito importante porque uma das críticas por parte de quem nos empresta é “mas vocês não cobram impostos?”. Não gosto de teorias de conspiração, mas, curiosamente, põe-se sempre esta questão num plano secundário e vai-se directamente aos sectores sociais e aos funcionários públicos. É um pouco estranho.

Em 1998 escreveu no Diário Económico a seguinte frase: “A ausência de moeda própria impede os países de disporem de um único instrumento macroeconómico verdadeiramente eficaz para repor competitividade externa perdida”. Mais à frente acrescenta que “o problema é de outra forma intratável, como se vê no caso da Argentina”. Tendo em conta a situação hoje – a nossa situação e da Europa –, e dando de barato que é difícil fazer previsões, para onde pensa que as coisas se estão a encaminhar?

Estamos a encaminhar para isso [forma intratável] suceder na zona euro. As medidas que foram anunciadas pelo BCE ajudarão a estabilizar a perturbação imediata. Mas uma vez estabilizada a zona euro, tem de se pensar seriamente no facto de o euro não permitir um desenvolvimento da União.

Entre países do Sul e do Norte?

Entre Sul e Norte, é claríssimo. E mais: são interesses que são sempre divergentes e causarão uma perturbação política permanente na União. Penso que é de encarar seriamente a saída de países da zona euro. Para Portugal é a única forma de termos perspectivas de crescimento a prazo. Referi por dever o apoio aos sectores de bens transaccionáveis, mas não acredito que seja possível, com o grau de desequilíbrio que já atingimos, fazer essa política por muitos anos. Já passou essa oportunidade. Não vejo outra possibilidade senão desvalorizarmos a moeda. E aproveito para dizer que estes programas têm dois objectivos conflituantes: o verdadeiro objectivo, que é reduzir o défice externo; e depois o outro, também importante mas secundário, que é reduzir o défice do sector público. Só posso reduzir o défice externo como se fez aqui, pela redução brutal da procura interna (e as importações). Mas ao reduzir brutalmente a procura interna estou a reduzir as receitas públicas. As duas coisas não jogam. A desvalorização cambial tem um mérito: é que torna estes dois objectivos muito menos conflituantes. Não quer dizer que desapareça o conflito, mas torna mais exequível. Claro que estes programas de ajustamento podiam ter pensado que, se os objectivos são conflituantes, há que encontrar um ponto de equilíbrio. Mas não o fizeram. Sair do euro teria ainda uma grande vantagem: o financiamento do Estado. A partir do momento em que o Estado tem emissão monetária deixa de ter problemas de financiamento interno.

Mas isso não é assustador, tendo em conta a nossa indisciplina crónica?

É evidente que é, mas pode sempre pôr-se limites ao financiamento interno. Podem dizer que isso vai causar inflação. Pois vai. Mas não conheço caso nenhum de um país que saia de uma situação de endividamento como esta sem ser à custa de inflação. Ou então há um perdão geral de dívida, mas não apostaria que vai haver.

Uma reestruturação não seria grande uma ajuda?

Paga-se sempre muito caro. Há certas situações em que não há outra hipótese e se calhar teremos que fazer. Mas é de evitar na medida do possível porque paga-se sempre muito caro.

Mas sair do euro implicaria uma reestruturação de dívida.
Como?

Com a saída do euro ficávamos com as mesmas dívidas ao exterior que já temos. Teríamos mais equilíbrio na nossa balança de pagamentos e podíamos, inclusivamente, gerar excedentes sem ser à custa de uma brutal descida do nível de vida – e isso permitir-nos-ia gerir essa dívida externa.

ionline.pt  22.09.2012 
Wednesday, April 25, 2012
 
25.04.1974 - 25.04.2012
balanço sumarissimo

    partidarite  crónica                          " pulhítica "                                    " pulhitiquice"
 
Friday, April 06, 2012
 
Páscoa Agnóstica
 
  na procura de um " Deus dos sem Deuses " ... ... ...

http://www.youtube.com/watch?v=BudLMyodyt4
 
Saturday, February 18, 2012
 
Transcendência


 
Thursday, January 19, 2012
 
Interior - um

Com uma tal falta de gente coexistivel, como há hoje, que pode um homem de sensibilidade fazer senão inventar os seus amigos, ou quando menos , os seus companheiros de espírito ?

Fernando Pessoa/Bernardo Soares
Livro do Desassossego

Interior - dois

Pudesse eu não ter laços nem limites
Ó vida de mil faces transbordante
Para poder  responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes !

Pudesse Eu
Sofia de Mello Breyner Anderson
Poesia, Antologia 



 
Saturday, December 24, 2011
 
Natal ... ... ... sem pai natal



 
Tuesday, December 20, 2011
 
Olhos nos Olhos
 ( tvi 19.12.2011)

Medina Carreira e Paulo Otero concisos e precisos :

http://www.tvi24.iol.pt/programa.html?prg_id=4407
 
Saturday, December 17, 2011
 
Morna

Património de alma portuguesa d'além mar

Cesária Évora  (27.08.1941-17.12.2011)
 
Monday, November 28, 2011
 
Fado

Património de  alma portuguesa


 
Friday, November 04, 2011
  ... 
Monday, June 13, 2011
 
FERNANDO PESSOA
(13.06.1888-30.11.1935)

   extratos do "...  desassossego " :


- " Meu Deus, meu Deus, a quem assisto ? Quantos sou ? Quem é eu ? O que é este intervalo que
      há entre mim e mim ? "

- "Criei em mim várias personalidades. Crio personalidades constantemente ...
    Para criar, destruí-me ; tanto me exteriorizei dentro de mim, que dentro de mim não existo senão 
    exteriormente. Sou a cena viva onde passam vários actores representando várias peças."

- " No meu coração há uma paz de angústia, e o meu sossego é feito de resignação ".

- " A monotonia de tudo não é, porém, senão a monotonia de mim."

- " De tal modo me desvesti do meu próprio ser, que existir é vestir-me."

- " Escrevo, triste, no meu quarto quieto, sozinho como sempre tenho sido, sozinho como sempre 
     serei. E penso se a minha voz, aparentemente tão pouca coisa, não incarna a substância de milhares 
     de vozes . . . ".

- " Não sente a liberdade quem nunca viveu constrangido ".

- " Sinto-me velho, só para ter o prazer de me sentir rejuvenescer".

- " Sossego, quase, do cansaço do desassossego ".

- " A vida é para nós o que concebemos nela. Para o rústico cujo campo próprio lhe é tudo, esse 
    campo  é um império. Para o César cujo império  lhe ainda  é pouco, esse império é um campo. O
    pobre possui um império; o grande possui um campo. Na verdade, não possuímos mais que as
    nossas próprias sensações; "

- "Devo ao ser guarda-livros grande parte do que posso sentir e pensar como a negação e a fuga do
    cargo".

- " Há sossegos do campo na cidade.  Há momentos. Sobretudo nos meios-dias de estio, em que, nesta
     Lisboa luminosa, o campo, como o vento, nos invade. "

- " Há muito tempo que não escrevo. ...numa estagnação íntima de pensar e de sentir."

- " Felizes os que sofrem com unidade ! Aqueles a quem a angústia altera mas não divide ... "

- " Não me lembro da minha mãe. Ela morreu tinha eu um ano.Tudo o que há de disperso e duro na
     minha sensibilidade vem da ausência desse calor e da saudade inútil dos beijos de que me não
     lembro.   ...  Ah, é a saudade do outro que eu poderia ter sido que me dispersa e sobressalta ! ...
     Talvez que a saudade de não ser filho tenha grande parte na minha indiferença sentimental.
     Quem, em criança, me apertou contra a cara não me podia apertar contra o coração. "

- " ... sozinho na noite de mim próprio, chorando como um mendigo o silêncio fechado de todas as
         portas."

- " Relembro, com tristeza irónica, uma manifestação de operários feita não sei com que sinceridade ...      Os que verdadeiramente sofrem não ... ... ... formam conjunto. O que sofre sofre só. "

- " Nunca amei ninguém. O mais que tenho amado são sensações minhas ... ".

- " Sofri a humilhação de me conhecer. "

- Afinal eu quem sou, quando não brinco ? um pobre orfão abandonado nas ruas das  sensações,
  tiritando de frio às esquinas da Realidade, tendo que dormir nos degraus da  Tristeza e comer o pão
  dado da Fantasia. ...
  Se um dia Deus me viesse buscar e me levasse para sua casa e me desse calor e afeição ....    ....  ....
  Tenho frio de mais. Estou tão cansado no meu abandono. Vai buscar, Ó Vento, a minha Mãe. 
   Leva- me na Noite para a casa que não conheci ... "
 
Friday, June 10, 2011
 

Um degrau para o Céu :




em nome de uma sonhada  Pátria d'aquém e d'além-mar.


 
Monday, April 25, 2011
 
25.04.1974 --- 25.04.2011


...
- conquistas:
descaramento, dívidas, desperdício, mediocridade, humilhação, impunidade, desconfiança, pseudo-riqueza, pseudo-instrução, pseudo-educação, pseudo-cultura, pseudo-sensibilidade, um abismo, um fim histórico ... 
...
- conquistadores/as:
mercenários/as  da política, mercenários da guerra,  mercenários/as da gestão, mercenários/as do sindicalismo, mercenários/as da "doutorice", mercenários/as da vida e da morte...
...
- salvadores/as:
excelências, excelentissimos/as,  ilustres, ilustrissimos/as,  camaradas,  companheiros/as, doutores/as doutorissimos/as,   jotas jotissimos/as ...
...
- ídolos e ideais:
ronaldos,  mourinhos,  cayennes,  mansões...


ULTIMATUM:


 
MOLDURA SONORA PARA CERTOS SILÊNCIOS...

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