Olhos nos Olhos
Sunday, July 31, 2016
 
por dentro
 
gosto de alguém em quem
 
" a sensibilidade se confunde com a inteligência,
para formar uma terceira faculdade da alma,
infiel às definições "
 
 
F.Pessoa
(a propósito de Luiz de Montalvor,
fundador da editora Ática)
 
Monday, June 13, 2016
 
....   ......  la bohême   ... ...   la bohême .... ....
 
que bem que sabe ao paladar do ouvido e da alma, assim :
 
https://www.youtube.com/watch?v=Oj-3hk2L7MQ
 
e assim :
 
https://www.youtube.com/watch?v=ZAinaET8NlQ
 
merci   Monsieur  Aznavour !
 
 
Tuesday, April 26, 2016
 
 
la musica ...  la vita  ...  !!!
 
 
http://spettacoli.tiscali.it/video/detail/?id=277876
 
Monday, February 29, 2016
 
da vida e da morte ... ...
 
... lembro-me de ser criança e ver a minha mãe a dançar o charleston, sozinha, sem música, e eu encantado a vê-la. Era pequenina, bonita, parecia uma miúda, se íamos ao restaurante sozinhos com ela o empregado a recolher-lhe a ementa depois dela dizer o seu prato perguntava
 
- e para os irmãos da menina ?
 
Quando a minha mãe estava morta na igreja e os filhos por ali esperei que entrasse um empregado de lacinho e colete às riscas inclinando-se para o caixão
 
- e para os irmãos da menina ?
 
Mas não veio nenhum. Só gente de olhos pesados ... ... ... com apertos de mão graves e sérios, que nunca a viram dançar o charleston.
 
A.Lobo Antunes,Visão,18.02.16
 
Wednesday, January 20, 2016
 
  ... ...  e a vida a navegar por entre o sonho e a mágoa  ... ...
 
https://www.youtube.com/watch?v=T1G0siH6FbQ
 
 
 
Monday, October 12, 2015
 
por dentro
 
... ... ...  este estar onde não estou  ... .... ...
 
Saturday, September 19, 2015
 
Bom  Direito :
 
http://observador.pt/2015/09/18/gravacoes-secretas-zeinal-ex-gestores-da-pt-aceites-prova/
 
Thursday, April 30, 2015
 
por dentro . . .
 
Enquanto não atravessarmos a dor da nossa própria solidão,
continuaremos a buscar-nos em outras metades.
Para viver a dois, antes, é necessário ser um.
 
Pessoa ?
 
Monday, March 30, 2015
 
um canto de Portugal Primavera
 
 
http://azenha.wix.com/casasdaazenha
 
Tuesday, March 17, 2015
 
um outro olhar  Portugal
 
https://www.youtube.com/watch?v=jUd-_WkFd7I#t=18
 
Monday, March 02, 2015
 
nocturno  ... ... ...
 
https://www.youtube.com/watch?v=YGRO05WcNDk
 
                                                                                                                                                                         Chopin
(01.3.1810 - 17.10.1849)
 
Saturday, January 17, 2015
 
Miguel Torga
(12.08.1907 -17.01.1995)

                                                     ... ... pego na pena com o escrúpulo com que pego no bisturi.
                                                                (...)


Não é uma boa prosa que ambiciono, mas sim uma
claridade gráfica.
 
Gostaria de restituir às palavras a alma que lhes roubaram, e que a língua tivesse nas minhas mãos, além da graça  possivel, uma dignidade insofismável. 
(...)
 
Que cada frase, em vez de um habilidoso disfarce, fosse  uma     sedução e um acto.
 
Uma sedução sem condescendências, e um acto sem
subterfúgios.

Para tanto, limpo-a escrupolosamente de todas as
impurezas e ambiguidades, na porfiada esperança de que
a sua claridade se veja e se entenda.

E a vejam e entendam, sobretudo, os que não são
profissionais da literatura.
(...)
Diário Vlll-1958
 
Saturday, January 03, 2015
 
quem me quiser
 
quem me quiser há-de saber as conchas
as cantigas dos búzios e do mar.
quem me quiser há-de saber as ondas
e a verde tentação de naufragar.

quem me quiser há-de saber a espuma
em que sou turbilhão, subitamente
ou então não saber coisa nenhuma
e embalar-me ao peito, simplesmente.
... ... ...
António Pelarigo (Rosa Lobato Faria/José Cid)
            https://www.youtube.com/watch?v=-dpmDxfoFPo
 
Monday, December 29, 2014
 
natal sem pai natal ...
 
" É tão grande a diferença entre o Natal do Menino Jesus e o Natal dos Pais Natal.
É a diferença entre o sentimento e o objeto, entre a afetividade e a aquisição, entre a generosidade e o interesse.
É sobretudo, a diferença entre o despojamento da verdade anunciada e a maior operação de marketing de cada ano que passa."

 
José Luís Seixas
Destak, 18.12.2013
 

 
Wednesday, December 24, 2014
 
natal sem pai natal ...

com um menino jesus de encantar
 
https://www.youtube.com/watch?v=gWI1gs0dJYk
 
Wednesday, December 17, 2014
 
agora já é tarde ...
agora nunca é tarde ...
 
" ... ... ...  pois que nos cumpramos ao menos agora até ao fim ... ... ... "

https://www.youtube.com/watch?v=oTipo7y-pC8
 
Monday, December 01, 2014
 
 da independência
 
repôr um feriado, para comemorar a restauração da independência de Portugal em 1640 face ao domínio espanhol, é necessário mas não é suficiente :
 
- não nos liberta   do sufoco da divida e da continua  mão estendida aos empréstimos ...
- não nos liberta da humilhante subserviência ao  dinheiro sujo ..
- não nos liberta do "dogma" do euro ...
- não nos liberta da repetida e esmagadora  partidarite ...
 
 
Tuesday, November 25, 2014
 
uma verdade contra  " pulhíticos " :

"no dia em que eu abandonar  o poder, quem virar os meus bolsos do avesso, só encontrará pó"

Salazar (15.08.1968)
 
 
Wednesday, November 19, 2014
 
acordem os fadistas ... ... ... ....  acordem as guitarras ... ...
 
https://www.youtube.com/watch?v=ZZGWpwzPyyU
 
porque
 
sou do fado !!!
 
https://www.youtube.com/watch?v=lh9YHtZzHfk
 
Monday, November 17, 2014
 
Golegã ...  ... ...
com discreto e inédito charme


Golegã 2013 - Beleza
 
Monday, November 10, 2014
 
homeopatia - um caso surpreendente
 
carta aberta a Carlos Fiolhais
 
Caro colega,
 
O texto assinado por si que saiu no PÚBLICO de 5 de Novembro com o título de “Ciência diluída”

 deixou-me profundamente zangado: o seu ataque à homeopatia não tem pés nem cabeça, é

insultuoso, mentiroso, e demonstra uma ignorância inacreditável porque a homeopatia começa a ser

 levada a sério pela medicina convencional em todo o mundo e há protocolos homeopáticos em uso e

 experimentação pelos mais rígidos e incrédulos cientistas das mais perfiladas instituições académicas e hospitalares.

Houve um dia em que acordei de manhã com um alto no pescoço. Verifiquei com o meu dentista: não

 tinha nada que ver com dentes. Depois fui ao meu otorrino: “O senhor tem uma massa na faringe”.

 Fui fazer um TAC: era um cancro de grau IV – ou seja, letal. Metástases na cadeia linfática, etc.

 Consultei vários oncologistas aqui e ali e até acolá (no estrangeiro): três a quatro meses de vida.  As

armas deles, nucleares (rádio), químicas e convencionais (cirurgia), não se aplicam no meu caso,

 disseram-me com grande honestidade. Só serviriam para atrasar o progresso do cancro... e para me

deixar sem maxilar, com um cateter metido na garganta para poder comer e respirar, além dos habituais vómitos, enjoos, queda de cabelo, etc.

Isto foi no final de Maio de 2012. Há dois anos e meio. Neste intervalo de tempo, escrevi e publiquei

 dois romances, organizei e também publiquei uma colectânea de crónicas, tenho aqui no computador

 mais dois romances acabados e um pequeno livro de contos. Passeei, fui à praia, brinquei com os

meus netos e os meus cães, fiz companhia à minha mulher, estive com amigos, escrevi sobre arte para

 o PÚBLICO. Não me caiu cabelo, não tive vómitos. Em poucas palavras: tenho dois anos e meio de

 qualidade de vida por cima da sentença de morte ditada pelos oncologistas da medicina oficial.

Já toda a gente que estiver a ler esta carta terá adivinhado o que vou escrever a seguir: sim, tenho sido

 acompanhado pela medicina homeopática, os seus tratamentos, os suplementos alimentares que

prescreve e uma revisão radical da minha alimentação. Ninguém me prometeu milagre nenhum.

Estou vivo e activo há dois anos e meio, leu bem Doutor Fiolhais. O conselho que lhe dou é que esteja calado acerca daquilo de que não sabe nada.

Com os melhores cumprimentos
Paulo Varela Gomes (Prof. reformado da Universidade de Coimbra) - Público  8.11.2014

textos relacionados:
http://www.publico.pt/ciencia/noticia/ciencia-diluida-1675128
http://www.ionline.pt/iopiniao/assunto-pseudociencia-na-faculdade-farmacia

 
Wednesday, October 29, 2014
 
informações e reflexões sem o vírus da partidarite ... ... ...
 
http://www.tvi24.iol.pt/opiniao/comentador/medina-carreira/53f657550cf2103fd4492901/videos/1

http://www.tvi.iol.pt/programa/olhos-nos-olhos/4407
 
Monday, October 20, 2014
 
tabacaria

não sou nada
nunca serei nada
não posso querer ser nada
à parte isso
tenho em mim todos os sonhos do mundo
...  ... ...
acendo um cigarro ...
e saboreio no cigarro
a libertação de todos os pensamentos
sigo o fumo como uma rota própria ...
 
http://www.youtube.com/watch?v=0jjE-2FqqpM
 
Thursday, October 16, 2014
 
carta aberta
 
Ninguém me encomendou o sermão, mas precisava de desabafar publicamente. Não posso mais com

 tanta lição de economia, tanta megalomania, tão curta visão do que fomos, podemos e devemos ser

 ainda, e tanta subserviência às mãos de uma Europa sem valores (...).


Torga ( Diário XVI)

 
Monday, October 13, 2014
 
a  " portugalidade "  na boca mercenária de um "guru" da gestão ruinosa :
 
http://www.youtube.com/watch?v=XcnXMyGS0Xo.
 
" quem é sujo, suja o que diz " (Torga)
 
 
 
Tuesday, October 07, 2014
 
nobreza :
 
 
 
D. Carlos
 
Sunday, October 05, 2014
 
da  república e da bandeira
 
 
O observador imparcial chega a uma conclusão inevitável: o país estaria preparado para a anarquia; para a República é que não estava.
 
(...)
 
Bandidos da pior espécie (muitas vezes, pessoalmente, bons rapazes e bons amigos – porque estas contradições, que aliás o não são, existem na vida), gatunos com seu quanto de ideal verdadeiro, anarquistas-natos com grandes patriotismos íntimos, de tudo isto vimos na açorda falsa que se seguiu à implantação do regime a que, por contraste com a Monarquia que o precedera, se decidiu chamar República.
(...)
 
A Monarquia havia desperdiçado, estúpida e imoralmente, os dinheiros públicos. O país, disse Dias Ferreira, era governado por quadrilhas de ladrões. E a República que veio multiplicou por qualquer coisa - concedamos generosamente que foi só por dois (e basta) - os escândalos financeiros da Monarquia.
 
 A Monarquia, desagradando à Nação, e não saindo espontaneamente, criara um estado revolucionário. A República veio e criou dois ou três estados revolucionários.
(...)
 A Monarquia não conseguira resolver o problema da ordem; a República instituiu a desordem múltipla.
 
(...)
 
E o regime está, na verdade, expresso naquele ignóbil trapo que, imposto por uma reduzidíssima minoria de esfarrapados morais, nos serve de bandeira nacional – trapo contrário à heráldica e à estética porque duas cores se justapõem sem intervenção de um metal e porque é a mais feia coisa que se pode inventar em cor.
 Está ali contudo a alma do republicanismo português – o encarnado do sangue que derramaram e fizeram derramar, o verde da erva de que por direito mental devem alimentar-se.
 
" Da República "  Pessoa
 
Monday, September 29, 2014
 
... ...   há, nos meus olhos, ironias e cansaços ... ... ...
 
 
https://www.youtube.com/watch?v=qKyWRJZnu2o
 
 
 
 
 
 
 
Tuesday, September 23, 2014
 
 ... ... ...  na sala , onde tanta gente aguarda , só os olhos gritam  ...


http://www.youtube.com/watch?v=bpcarxaU6D0


 


 
Monday, September 22, 2014
 
interior dois
 
 
 
 
dói-me quem sou.
 
 
Pessoa
 
 
Monday, September 15, 2014
 
interior um

 

 
quanto fui,
 
quanto não fui,
 
tudo isso sou.
 
 Pessoa
 
 
 
 
Monday, September 08, 2014
 
 
 
                                                                  quando eu morrer
                                                                     voltarei para buscar
                                                                              os instantes que não vivi
                                                            junto do mar
 
Sophia
 
Friday, August 29, 2014
 

                                    o mar é a religião da natureza
 
 
 Pessoa    
 
Thursday, August 28, 2014
 
 
 
 
 

M 5 H 0 ... ... .... francamente !!!
 
https://www.facebook.com/video.php?v=10152640113109148&set=vb.668509147&type=3&theater
 
 
 
Saturday, July 19, 2014
 
a diferença entre a " beleza " e a verdade :
 
o relatório e contas 2013 do BES

http://www.bes.pt/sitebes/cms.aspx?plg=a3799953-bb24-4a96-860b-9ebcf88e76ec

http://www.bes.pt/sitebes/cms.aspx?plg=442498ee-f0a2-4274-a621-475026214a74
 
 http://www.bes.pt/sitebes/cms.aspx?plg=132fa536-4873-4168-92ad-2db01b31b666
 
e uma parte ( apenas uma parte ... ) da verdade oculta :
 
http://www.publico.pt/economia/noticia/bes-tem-exposicao-de-1200-milhoes-a-empresas-do-grupo-espirito-santo-1662462
 
Wednesday, June 18, 2014
 
"  fadopiano  "
 
 
https://www.youtube.com/watch?v=Jyn1QojOn7o
 
 
Wednesday, May 07, 2014
 
do amor e da vida ...
 
 
Camille Claudel -A Valsa
a valsa (Camille Claudel)
 
Sunday, April 27, 2014
 
 
           do amor e da morte         
 
quando eu morrer murmura esta canção
que escrevo para ti. quando eu morrer
fica junto de mim, não queiras ver
as aves pardas do anoitecer
a revoar na minha solidão.

quando eu morrer segura a minha mão,
põe os olhos nos meus se puder ser,
se inda neles a luz esmorecer,
e diz do nosso amor como se não

tivesse de acabar, sempre a doer,
sempre a doer de tanta perfeição
que ao deixar de bater-me o coração
fique por nós o teu inda a bater,
quando eu morrer segura a minha mão.
 
Vasco Graça Moura (3.01.1942-27.04.2014)
soneto do amor e da morte, " Antologia dos Sessenta Anos", Ed. Asa, 2002
 

 

 
Friday, April 25, 2014
 
 
Salazar
 
Apesar dos pesares, inteligente, coerente, honesto e modesto, ao contrário de inúmeros "abrileiros " .
 
Thursday, March 27, 2014
 

 
 


 
 
aproveite-se esta transcrição para a audácia de uma moeda nacional ...
 
Friday, February 07, 2014
 
OH  GENTE  DA  MINHA  TERRA  !!!
 
http://www.youtube.com/watch?v=G4cyNK3BW7Q
 
Monday, December 23, 2013
 
Outro  " fado "  no  " nosso fado "
 
http://www.youtube.com/watch?v=IpabZlUqN9k
 
Friday, May 24, 2013
 
Fado
 
... ... ...    à  procura  de  uma  noite  menos  escura    ... ... ...

http://www.youtube.com/watch?v=N9PYjQ-qS5c

 http://www.youtube.com/watch?v=4hpc0cjBCIA
 
 
 
Monday, September 24, 2012
 
para reflexão
 

João Ferreira do Amaral deixou claro no início da entrevista que queria mais do que debater a polémica medida da taxa social única – queria “falar destes programas de ajustamento da troika”. Cumpriu. O economista não acredita na correcção violenta e rápida dos desequilíbrios acumulados pelo país ao longo de anos e critica duramente os pressupostos técnicos subjacentes aos programas da troika: “Não funcionam”, são “absurdos”, “um disparate” e “um erro brutal”. Um dos mais conhecidos eurocépticos do país, Ferreira do Amaral considera que, mesmo com a margem que acredita existir na Europa para alterar os programas, a economia portuguesa já não tem tempo para a reestruturação de que precisa para crescer sem sair da zona euro.

A medida pretende substituir o efeito de uma desvalorização cambial. O primeiro-ministro comparou-a com a desvalorização cambial feita com o FMI no programa de 1983. A medida é um substituto?

Não é um substituto da desvalorização cambial, isso é um erro comum. Tentar substituir uma desvalorização cambial por uma medida de redução de salários é um erro, aliás, destes programas de estabilização com a troika. As medidas têm consequências diferentes. O primeiro-ministro fez alguma confusão entre desvalorização cambial e queda do nível de vida. A desvalorização cambial no programa de 1983 foi da ordem dos 20%, mas a queda dos salários reais não chegou a 8%. Uma coisa é a moeda desvalorizar-se, outra é o nível de vida baixar. É falso dizer que, nesse caso, o nível de vida desceu 20%. Os salários reais desceram cerca de 8%, o que é bastante menos do que será se a medida da TSU for para diante.

Não é o mesmo em termos de impacto no rendimento e de efeito na economia?

A medida da TSU não é a mesma coisa que a desvalorização cambial por várias razões. Em primeiro lugar porque a redução salarial é a mesma para todos os sectores e não privilegia os bens transaccionáveis. Por isso é muito pouco eficiente. Nas exportações o peso directo e indirecto dos salários – directamente dos sectores exportadores, mais o peso dos sectores que produzem bens para os sectores exportadores – é da ordem dos 30%. Uma descida de menos de 6% da Taxa Social Única [5,75%] não chega a 1,8% de melhoria de competitividade, o que é irrisório. Porquê? Porque essa descida é distribuída por todos os sectores e como tal o impacto nos sectores de bens transaccionáveis é pequeno. A desvalorização cambial, pelo contrário, incide sobre bens transaccionáveis. É uma espécie de subsídio que se dá a esses sectores no imediato e é um bom incentivo para os empresários investirem nesse tipo de sectores. Em segundo lugar também são diferentes os efeitos sobre a riqueza: quando há uma desvalorização cambial todos sofrem em relação ao exterior uma desvalorização, quer nos rendimentos do trabalho, quer nos outros, incluindo o próprio património. Aqui não: todo o ajustamento cai sobre os salários.

Falou de uma queda de 8% dos salários reais em 1983 na sequência de desvalorização cambial – como compara com a medida hoje em discussão?

Se os salários descessem 7% – que na realidade é um pouco mais – e se somarmos o efeito preços – 2% a 3% de inflação – iríamos aos 10% de perda de salário real. É mais do que em todo o programa de ajustamento de 1983/84. Com a agravante de não resolver nada. E com a agravante adicional, muito pouco discutida, de que uma desvalorização do rendimento das famílias é muito perigosa em termos de equilíbrio financeiro porque as famílias estão muito endividadas, coisa que não se via em 1983. Se estamos a reduzir drasticamente o rendimento das famílias – e isso já se notou no caso dos funcionários públicos – estamos a aumentar muito as condições para o incumprimento, além de criarmos um problema social muito grave. Outro dos erros destes programas de estabilização é não terem em conta o que chamamos efeito riqueza negativo. As famílias estão muito endividadas o que leva a que qualquer descida de rendimento se amplifique muito mais no consumo.

E neste momento as Euribor estão historicamente baixas…

Sim, só podem subir a partir daqui. Esse é um risco adicional.

Esta medida serve para fintar o chumbo do Tribunal Constitucional…

… mas havia outras formas de o fazer.

Como?

A forma é o IRS, ponto final. É o mais justo, mais simples e além disso não criaria resistências, toda a gente compreenderia. É mais justo porque é progressivo: quem tem mais paga uma taxa maior. Não percebo porque se está a fazer isto [da TSU]. Na entrevista que deu, a Dra. Manuela Ferreira Leite chamou a atenção para este aspecto e bem: as pessoas estão a pagar não de acordo com os seus rendimentos, como a Constituição obriga, mas de acordo com o estatuto que têm. Isto é uma concepção medieval. Agora os reformados pagam x, os funcionários pagam outro x. É uma regressão de séculos em termos de base de incidência fiscal. As sociedades civilizadas tributam de acordo com o rendimento ou segundo o património.

Além da questão do chumbo do Tribunal Constitucional, o governo tentou matar dois coelhos ensaiando uma desvalorização fiscal. Isto traz-nos à discussão sobre a viabilidade que Portugal tem dentro da zona euro com muito poucos instrumentos.

Acho que não tem, por isso é que tenho proposto a saída. Mas, fazendo um esforço para evitar isso, há uma coisa que convém evitar: pensar que uma desvalorização fiscal é equivalente a uma desvalorização cambial. Não é e não resolve o problema. O problema da competitividade, supondo que continuamos sem moeda própria, só pode ser resolvido gradualmente. Por isso estes programas de ajustamento são um erro brutal ao quererem uma terapia de choque que não resolve nada. O que é adequado para estas situações são programas que garantem que a economia vai no bom caminho durante algum tempo, apoiando-a durante esse tempo. Só há uma hipótese de sem moeda própria a economia reequilibrar a sua balança de pagamentos – não falo deste equilíbrio insustentável.

Que é conjuntural?

Tem a ver com uma quebra da procura interna que não é sustentável. Só há uma forma: é ir reformulando a estrutura produtiva para incentivar a produção de bens transaccionáveis. Isso com uma desvalorização cambial faz-se logo. É rápido. Na sua ausência tem de dirigir as políticas – a fiscal, a de crédito, etc. – para privilegiar a produção de bens transaccionáveis. Estes programas [da troika] são um disparate. Aliás, vê-se claramente: é difícil imaginar um programa tão ineficiente como o português. Portugal fez uma subversão completa dos rendimentos, com aumento brutal de desemprego, e no fundo o défice orçamental desce 1,5% em relação a 2011. Para o ano não acredito que se cumpra [o objectivo de 4,5% para o défice] com esta política, mas se cumprir é uma descida de 0,5%. É das maiores ineficiências que encontro e a meu ver resulta de a troika ter concepções que se baseiam em pressupostos económicos errados. Um é que a desvalorização fiscal é a mesma coisa que a desvalorização cambial. Outro é que o emprego só depende dos custos do trabalho quando depende basicamente da evolução da procura interna. Outro ainda é não ter em conta o efeito riqueza de que falei há pouco, motivado pelo grau de endividamento. A troika tem demonstrado uma grande dificuldade em fazer programas que funcionem. Estes não funcionam e já não há desculpa que deram em relação aos gregos, de que eles não cumpriram e são uns valdevinos.

Nós fizemos tudo.

Nós fizemos tudo. Para obter este resultado, por amor de Deus, isto não é nada. Estes programas levam a uma grande iliteracia económica, não estão adequados às situações. E é isso que é importante mudar. Se for mudado e se entrar mais numa concepção de ajustamento gradual da estrutura produtiva, através de medidas estruturais de apoio aos sectores de bens transaccionáveis, nós podemos fazer o ajustamento. De outra forma penso que só nos resta a saída da zona euro.

Um dos problemas, anterior à assinatura do Memorando, tem a ver com falta de liquidez na economia portuguesa. Quando se fala em políticas do lado da procura e em investimento, como é que isso se faz quando Portugal tem acesso escasso a financiamento?

Um programa como eu preconizaria obrigaria a mais dinheiro, inevitavelmente. Desde o início se disse que este montante do programa [78 mil milhões de euros] era insuficiente. E está a revelar-se insuficiente porque está a penalizar demasiado o financiamento da economia. O ministro das Finanças referiu, a meu ver bem, que vai alargar os instrumentos financeiros para o Estado se financiar internamente. Mas, depois, tem uma contrapartida: os bancos têm menos depósitos. Se conseguirem continuar a financiar-se junto do BCE não há problema. Mas em qualquer caso é preciso uma garantia de que há mais dinheiro para sustentar a economia enquanto se reformula a estrutura produtiva. Passámos 15 anos a distorcer a estrutura produtiva.

E vínhamos de uma situação de grande atraso…

Exactamente. Ninguém acredita que em um ou dois anos vamos repor a estrutura produtiva. Estes programas são um absurdo e não admira que falhem mesmo quando se cumpre.

A perspectiva de quem tenta cumprir o programa é de que é necessário ter dois ou três anos de dor profunda para depois podermos voltar a crescer…

… mas economicamente não há nenhuma razão para supor que isso seja assim, pelo contrário vamos regredir. O investimento tem descido brutalmente, prevê-se nova descida para o ano e isso significa que a estrutura produtiva não se reformula. Não há reformulação sem investimento. Essa concepção metafísico-existencial não tem qualquer cabimento em economia. Em economia só interessam os resultados.

Mas há um constrangimento imediato que vem do facto de estarmos na Europa e de aparentemente haver muito pouca margem para mudar de forma significativa a política actual. Concorda que há pouca margem?

Não. Começa a haver alguma margem de manobra à medida que é cada vez mais nítido que estes programas não dão resultado. Não sei se é verdade, mas houve “zuns zuns” de que a troika estaria aberta a um aumento do prazo e até do dinheiro. Infelizmente creio que a posição do governo não é a que seria correcta – cumprir apenas no essencial o programa da troika para manter o financiamento – mas usar o programa como catapulta para uma agenda muito além da troika, em que a redução salarial é o nosso futuro. Quando claramente não é.

Mas, embora não desta maneira, a desvalorização fiscal está no Memorando, não está?

Mas não desta maneira. E principalmente não estava nem esta medida da TSU, nem a hora adicional de trabalho, que depois acabou por cair. Há esta ideia de que a competitividade da economia portuguesa se obtém pela redução salarial. Pelas razões que disse há pouco acho que isso é errado. O governo, pelas suas concepções, não terá incentivo para negociar uma estratégia mais adequada. O facto de Espanha estar em vias de pedir um resgate leva a Europa a pensar que não se pode repetir em Espanha o mesmo que na Grécia e que se está a repetir em Portugal: um programa de resgate que não dá resultado. Se a Espanha entrar numa depressão profunda toda a Europa sofre brutalmente. Aí há margem para se negociar uma política mais adequada de ajustamento.

Mas teremos de cumprir sempre o programa, certo? O Estado português assinou um acordo com os credores e, no meio da tempestade política com a medida da TSU, parece que deixou de haver necessidade de cumpri-lo.
 
Temos de cumprir apenas no essencial para nos mantermos com financiamento. Repare que o Eurogrupo abriu a hipótese de que, se não houver alteração dos objectivos fundamentais, se podem alterar as políticas. Aquilo que apareceu noticiado de que ou era a TSU ou não havia tranche parece que não corresponde à realidade. O que há a fazer é escolher dentro das medidas possíveis aquelas que são mais justas e com melhor efeito sobre a actividade económica. Por outro lado, penso que se devia negociar objectivos orçamentais que sejam exequíveis. Se a recessão se agravar – não será apenas [a contracção de] 1% que o governo pensa tanto mais que as exportações devem ter uma evolução muito desfavorável – então a meta de 4,5% do PIB para 2013 não será exequível. E depois teremos um drama medonho que é de novo dizer que afinal isto não se cumpriu.

Estas metas – a inflexibilidade subjacente ao programa – acaba por matar a credibilidade de qualquer ministro das Finanças?

Penso que sim. Acabam por matar toda a gente. Acaba por matar também a credibilidade das instituições comunitárias. Antes podiam transferir a responsabilidade para os não cumpridores, agora não podem porque Portugal no essencial cumpriu o programa. Portanto, se os resultados não estão adequados é porque o programa estava inadequado à partida como, aliás, muita gente referiu. Isto põe em cheque a credibilidade também do Fundo Monetário Internacional, da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu (BCE). Com uma agravante adicional no que respeita à Comissão Europeia: ao patrocinar estes programas está a ir contra os tratados. Os objectivos da União Europeia não são estes e a Comissão deve estar ao serviço da União. Essa é uma missão que o Parlamento Europeu devia fiscalizar.

Cumprir no essencial como referiu vai implicar – apesar de já irmos mais um ano – implicará sempre mais dor social. Ao rotular o Memorando como um fracasso completo não corre o risco das pessoas deixarem de acreditar que será preciso fazer mais?

Não encontro nenhuma justificação para que a dor seja redentora
.
Quando falo em dor não é no sentido católico da palavra…

[risos] Mas penso que há quem pense assim. Aliás, chamo a atenção que um dos grandes riscos do programa é toda a gente cumprir com grande dor e depois os resultados ficarem longe, como infelizmente está a suceder. Para cumprir o memorando, incluindo alguma negociação para não só mais tempo mas mais dinheiro, há um ponto que pode ser muito melhorado e que não causa dor: a evasão fiscal. Toda a gente fala das gorduras do Estado e que o Estado tem que emagrecer. Mas, se olharmos friamente para os números, e com o ajustamento já feito, a nossa economia tem um sector público inferior à média comunitária, quer em despesa total, quer por tipos de despesa. A própria despesa com pessoal está abaixo da média. O nosso problema não é termos despesa a mais. O nosso problema é outro, conjuntamente com outros países do Sul: temos uma enorme economia paralela. Resultado: a carga fiscal é muito pesada para quem cumpre e leve para quem não cumpre. Esse é o problema base. A prioridade das prioridades era combater a evasão fiscal. Claro que há outros domínios importantes, como as PPP [parcerias público-privadas], mas o que teria efeitos estruturais nas finanças públicas seria criar mecanismos para reduzir a evasão.

Há a opinião de que a evasão fiscal protege muitas empresas que, de outra forma, cairiam. Concorda?

Não. Provavelmente algumas cairiam, mas essas também não interessam. É muito mau quando se começam a encontra justificações económicas para não se combater a evasão fiscal.

Se fosse assim tão fácil e óbvio, porque não se fez?
 
Não digo que seja fácil. Mas justamente por isso é importante que os governos o façam. Se é fácil cortarem nos rendimentos isso não quer dizer que seja justo ou admissível. Nunca ninguém disse que é fácil combater o crime, mas é preciso combatê-lo. Se é aí que está o ponto então vamos mobilizar a sociedade para combater aí. Penso que será possível um acordo político amplíssimo nessa matéria. Agora, tentar resolver o problema cortando onde mais? Há as PPP e as fundações, mas juntando isso tudo é meia dúzia de patacos face ao que é necessário.

O que se prevê no Orçamento do Estado para 2013 são cortes fortes nas maiores rubricas da despesa pública, que são as áreas sociais.

Evidentemente. E então estamos a penalizar as pessoas e a regredir em termos sociais para permitir que haja muita gente que continue a fugir aos impostos. Isso é inadmissível.

A receita adicional chegaria para evitar estes cortes de despesa?

Sem dúvida. Se há países que têm níveis de 10% de economia paralela e se nós temos 25% há muita margem. E do ponto de vista da credibilidade do país era muito importante porque uma das críticas por parte de quem nos empresta é “mas vocês não cobram impostos?”. Não gosto de teorias de conspiração, mas, curiosamente, põe-se sempre esta questão num plano secundário e vai-se directamente aos sectores sociais e aos funcionários públicos. É um pouco estranho.

Em 1998 escreveu no Diário Económico a seguinte frase: “A ausência de moeda própria impede os países de disporem de um único instrumento macroeconómico verdadeiramente eficaz para repor competitividade externa perdida”. Mais à frente acrescenta que “o problema é de outra forma intratável, como se vê no caso da Argentina”. Tendo em conta a situação hoje – a nossa situação e da Europa –, e dando de barato que é difícil fazer previsões, para onde pensa que as coisas se estão a encaminhar?

Estamos a encaminhar para isso [forma intratável] suceder na zona euro. As medidas que foram anunciadas pelo BCE ajudarão a estabilizar a perturbação imediata. Mas uma vez estabilizada a zona euro, tem de se pensar seriamente no facto de o euro não permitir um desenvolvimento da União.

Entre países do Sul e do Norte?

Entre Sul e Norte, é claríssimo. E mais: são interesses que são sempre divergentes e causarão uma perturbação política permanente na União. Penso que é de encarar seriamente a saída de países da zona euro. Para Portugal é a única forma de termos perspectivas de crescimento a prazo. Referi por dever o apoio aos sectores de bens transaccionáveis, mas não acredito que seja possível, com o grau de desequilíbrio que já atingimos, fazer essa política por muitos anos. Já passou essa oportunidade. Não vejo outra possibilidade senão desvalorizarmos a moeda. E aproveito para dizer que estes programas têm dois objectivos conflituantes: o verdadeiro objectivo, que é reduzir o défice externo; e depois o outro, também importante mas secundário, que é reduzir o défice do sector público. Só posso reduzir o défice externo como se fez aqui, pela redução brutal da procura interna (e as importações). Mas ao reduzir brutalmente a procura interna estou a reduzir as receitas públicas. As duas coisas não jogam. A desvalorização cambial tem um mérito: é que torna estes dois objectivos muito menos conflituantes. Não quer dizer que desapareça o conflito, mas torna mais exequível. Claro que estes programas de ajustamento podiam ter pensado que, se os objectivos são conflituantes, há que encontrar um ponto de equilíbrio. Mas não o fizeram. Sair do euro teria ainda uma grande vantagem: o financiamento do Estado. A partir do momento em que o Estado tem emissão monetária deixa de ter problemas de financiamento interno.

Mas isso não é assustador, tendo em conta a nossa indisciplina crónica?

É evidente que é, mas pode sempre pôr-se limites ao financiamento interno. Podem dizer que isso vai causar inflação. Pois vai. Mas não conheço caso nenhum de um país que saia de uma situação de endividamento como esta sem ser à custa de inflação. Ou então há um perdão geral de dívida, mas não apostaria que vai haver.

Uma reestruturação não seria grande uma ajuda?

Paga-se sempre muito caro. Há certas situações em que não há outra hipótese e se calhar teremos que fazer. Mas é de evitar na medida do possível porque paga-se sempre muito caro.

Mas sair do euro implicaria uma reestruturação de dívida.
Como?

Com a saída do euro ficávamos com as mesmas dívidas ao exterior que já temos. Teríamos mais equilíbrio na nossa balança de pagamentos e podíamos, inclusivamente, gerar excedentes sem ser à custa de uma brutal descida do nível de vida – e isso permitir-nos-ia gerir essa dívida externa.

ionline.pt  22.09.2012 
Wednesday, April 25, 2012
 
25.04.1974 - 25.04.2012
balanço sumarissimo

    partidarite  crónica                          " pulhítica "                                    " pulhitiquice"
 
Friday, April 06, 2012
 
Páscoa Agnóstica
 
  na procura de um " Deus dos sem Deuses " ... ... ...

http://www.youtube.com/watch?v=BudLMyodyt4
 
Saturday, February 18, 2012
 
Transcendência


 
Thursday, January 19, 2012
 
Interior - um

Com uma tal falta de gente coexistivel, como há hoje, que pode um homem de sensibilidade fazer senão inventar os seus amigos, ou quando menos , os seus companheiros de espírito ?

Fernando Pessoa/Bernardo Soares
Livro do Desassossego

Interior - dois

Pudesse eu não ter laços nem limites
Ó vida de mil faces transbordante
Para poder  responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes !

Pudesse Eu
Sofia de Mello Breyner Anderson
Poesia, Antologia 



 
Saturday, December 24, 2011
 
Natal ... ... ... sem pai natal



 
Tuesday, December 20, 2011
 
Olhos nos Olhos
 ( tvi 19.12.2011)

Medina Carreira e Paulo Otero concisos e precisos :

http://www.tvi24.iol.pt/programa.html?prg_id=4407
 
Saturday, December 17, 2011
 
Morna

Património de alma portuguesa d'além mar

Cesária Évora  (27.08.1941-17.12.2011)
 
Monday, November 28, 2011
 
Fado

Património de  alma portuguesa


 
Friday, November 04, 2011
  ... 
Monday, June 13, 2011
 
FERNANDO PESSOA
(13.06.1888-30.11.1935)

   extratos do "...  desassossego " :


- " Meu Deus, meu Deus, a quem assisto ? Quantos sou ? Quem é eu ? O que é este intervalo que
      há entre mim e mim ? "

- "Criei em mim várias personalidades. Crio personalidades constantemente ...
    Para criar, destruí-me ; tanto me exteriorizei dentro de mim, que dentro de mim não existo senão 
    exteriormente. Sou a cena viva onde passam vários actores representando várias peças."

- " No meu coração há uma paz de angústia, e o meu sossego é feito de resignação ".

- " A monotonia de tudo não é, porém, senão a monotonia de mim."

- " De tal modo me desvesti do meu próprio ser, que existir é vestir-me."

- " Escrevo, triste, no meu quarto quieto, sozinho como sempre tenho sido, sozinho como sempre 
     serei. E penso se a minha voz, aparentemente tão pouca coisa, não incarna a substância de milhares 
     de vozes . . . ".

- " Não sente a liberdade quem nunca viveu constrangido ".

- " Sinto-me velho, só para ter o prazer de me sentir rejuvenescer".

- " Sossego, quase, do cansaço do desassossego ".

- " A vida é para nós o que concebemos nela. Para o rústico cujo campo próprio lhe é tudo, esse 
    campo  é um império. Para o César cujo império  lhe ainda  é pouco, esse império é um campo. O
    pobre possui um império; o grande possui um campo. Na verdade, não possuímos mais que as
    nossas próprias sensações; "

- "Devo ao ser guarda-livros grande parte do que posso sentir e pensar como a negação e a fuga do
    cargo".

- " Há sossegos do campo na cidade.  Há momentos. Sobretudo nos meios-dias de estio, em que, nesta
     Lisboa luminosa, o campo, como o vento, nos invade. "

- " Há muito tempo que não escrevo. ...numa estagnação íntima de pensar e de sentir."

- " Felizes os que sofrem com unidade ! Aqueles a quem a angústia altera mas não divide ... "

- " Não me lembro da minha mãe. Ela morreu tinha eu um ano.Tudo o que há de disperso e duro na
     minha sensibilidade vem da ausência desse calor e da saudade inútil dos beijos de que me não
     lembro.   ...  Ah, é a saudade do outro que eu poderia ter sido que me dispersa e sobressalta ! ...
     Talvez que a saudade de não ser filho tenha grande parte na minha indiferença sentimental.
     Quem, em criança, me apertou contra a cara não me podia apertar contra o coração. "

- " ... sozinho na noite de mim próprio, chorando como um mendigo o silêncio fechado de todas as
         portas."

- " Relembro, com tristeza irónica, uma manifestação de operários feita não sei com que sinceridade ...      Os que verdadeiramente sofrem não ... ... ... formam conjunto. O que sofre sofre só. "

- " Nunca amei ninguém. O mais que tenho amado são sensações minhas ... ".

- " Sofri a humilhação de me conhecer. "

- Afinal eu quem sou, quando não brinco ? um pobre orfão abandonado nas ruas das  sensações,
  tiritando de frio às esquinas da Realidade, tendo que dormir nos degraus da  Tristeza e comer o pão
  dado da Fantasia. ...
  Se um dia Deus me viesse buscar e me levasse para sua casa e me desse calor e afeição ....    ....  ....
  Tenho frio de mais. Estou tão cansado no meu abandono. Vai buscar, Ó Vento, a minha Mãe. 
   Leva- me na Noite para a casa que não conheci ... "
 
Friday, June 10, 2011
 

Um degrau para o Céu :




em nome de uma sonhada  Pátria d'aquém e d'além-mar.


 
Monday, April 25, 2011
 
25.04.1974 --- 25.04.2011


...
- conquistas:
descaramento, dívidas, desperdício, mediocridade, humilhação, impunidade, desconfiança, pseudo-riqueza, pseudo-instrução, pseudo-educação, pseudo-cultura, pseudo-sensibilidade, um abismo, um fim histórico ... 
...
- conquistadores/as:
mercenários/as  da política, mercenários da guerra,  mercenários/as da gestão, mercenários/as do sindicalismo, mercenários/as da "doutorice", mercenários/as da vida e da morte...
...
- salvadores/as:
excelências, excelentissimos/as,  ilustres, ilustrissimos/as,  camaradas,  companheiros/as, doutores/as doutorissimos/as,   jotas jotissimos/as ...
...
- ídolos e ideais:
ronaldos,  mourinhos,  cayennes,  mansões...


ULTIMATUM:


 
Sunday, March 20, 2011
 
Lua Cheia

Na quentura e aconchego da voz de minha amada Bethânia.


 
Thursday, March 17, 2011
 
Fumando

Por vezes, quando o ví . . . cio do ex-tabaco aperta, convem esta imagem :


 Quer lume ?
 
Friday, March 04, 2011
 
Ouvido, repetidamente, sem cansaço:



 
Thursday, February 03, 2011
 

Distâncias


Vivemos, cada vez mais, de migalhas afectivas ... ... ... incapazes de cumprir um afecto assim :

" amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado "
... ... ...

Herberto Helder, Aos Amigos 
Saturday, December 25, 2010
 
O nosso Natal é como o dos príncipes do século XIX

Foi D. Fernando II quem, nostálgico das tradições da sua infância, resolveu um dia fazer no palácio uma árvore de Natal para os sete filhos que tinha com a rainha D. Maria II, e distribuir presentes vestido de São Nicolau. Em Inglaterra, a rainha Vitória encantava-se com a mesma tradição, trazida pelo seu marido, Alberto, primo de D. Fernando. Pela mão dos dois primos germânicos nascia a festa de Natal como a conhecemos hoje.


Gravura de D. Fernando II com o rei vestido de S. Nicolau (J. Real Andrade/Fundação casa de Bragança)

Alguns dos principezinhos espreitam por detrás de uma cortina. Um outro, mais velho, está sentado numa cadeira, rindo, com as pernas no ar. Há um que parece tapar os olhos, como quem espera uma surpresa, e as duas meninas espreitam para dentro de um dos sacos da figura vestida de escuro que ocupa o centro da gravura. Ao fundo, sobre uma mesa, está, toda enfeitada, uma árvore de Natal.

Eram assim as noites de Natal da família real em meados do século XIX. D. Fernando II, marido da rainha D. Maria II e pai dos seus sete filhos, representava nas suas gravuras e águas-fortes o ambiente familiar, com ele próprio vestido de S. Nicolau a distribuir presentes. Mas o que é significativo na imagem é o facto de, segundo se crê, ela ser a primeira representação de uma árvore de Natal em Portugal.

D. Fernando era alemão. Com o seu primo Alberto, tinha passado a infância comemorando o Natal segundo a velha tradição germânica de decorar um pinheiro com velas, bolas e frutos. Por isso, quando começaram a nascer os seus filhos com D. Maria II - a rainha teve 11 gravidezes, mas só sete crianças sobreviveram, e a própria D. Maria morreu aos 34 anos, no parto do 11.º filho - D. Fernando decidiu animar o palácio com um Natal de tradições germânicas.

A rainha ficava encantada. Nas cartas à sua prima, a rainha Vitória falava com entusiasmo dos preparativos para a festa de Natal, que seria, aliás, muito semelhante à que Vitória (que tinha casado com Alberto) organizava no Castelo de Windsor, em Inglaterra.

"Nada, nem o ar amuado de D. Pedro [o primogénito e futuro rei D. Pedro V], conseguia estragar as festas de Natal", escreve Maria Filomena Mónica em O Filho da Rainha Gorda - D. Pedro V e a sua mãe, D. Maria II, conto que escreveu inicialmente para os netos e que foi depois editado pela Quetzal. "Na Alemanha, onde havia grandes florestas, era costume montar-se, nessa época, uma árvore, enfeitada com flores, bonecos e bolas. Em Portugal, o uso era antes o presépio, com o Menino Jesus nas palhinhas. Em 1844, D. Fernando resolveu fazer uma surpresa à família. Colocou em cima da mesa um pinheirinho, pondo ao lado os presentes."

Podemos imaginar o que seriam os presentes dos príncipes graças a outra gravura de D. Fernando que mostra o príncipe D. João, pequenino, com uma camisa de noite comprida e segurando um cavalinho na mão, a olhar para uma mesa enfeitada com a árvore de Natal, e rodeado de bonecos - um tambor, um estábulo com animais, um soldado de chumbo montado num cavalo. O Natal deixava de ser apenas uma festa religiosa e passava a ser uma festa das crianças.
A vida da família real
"O século XIX é fracturante em relação ao passado na promoção de uma nova visão do convívio da família", explica Nuno Gaspar, historiador e técnico do Palácio da Pena, em Sintra, onde preparou uma visita, realizada no ano passado, que tinha como tema o Natal da família real (embora, sublinha, durante a época do Natal, os reis e os filhos não estivessem na Pena, mas sim no Palácio das Necessidades, em Lisboa). "A tradição dos presentes não existia, sobretudo nos meios mais populares. Esta associação dos presentes que são trazidos pelos Reis Magos para oferecer ao Menino Jesus não existe antes. Pôr as crianças no centro das festividades do Natal é obra do século XIX."

Ao contrário do que acontecia anteriormente, é agora evidente uma intimidade muito maior entre pais e filhos - e os ambientes domésticos reflectem isso. Sobretudo o Palácio da Pena, onde D. Fernando pôde tornar realidade o sonho de qualquer romântico, nas salas indianas ou árabes, nos salões, nos quartos ricamente decorados, nos espaços mais pequenos para as noites em família, a ler, a tocar piano ou a brincar com as crianças, nas torres e num jardim com pontes, grutas, pérgulas e fontes.

"O homem do Romantismo não gosta de grandes espacialidades, prefere espaços acolhedores, quentes, que promovam a aproximação entre os indivíduos", acrescenta Nuno Gaspar. "A Pena é a expressão de uma modernidade, um espaço que tem que se prestar a acolher o tempo íntimo da família."Nos espaços públicos também se reflecte essa relação mais próxima entre pais e filhos, e vai-se criando a imagem de uma família real igual a todas as outras. Os reis e os príncipes passeavam no Passeio Público e conta-se mesmo que, um dia, D. Maria passeava com o príncipe D. Luís no Jardim da Estrela e, perante a relutância da criança em abraçar outro menino que ali brincava, ela o terá encorajado a fazê-lo.

A educação era marcada também pelo rigor. "Os infantes e os príncipes passavam muito tempo com os preceptores, mas os pais não se eximiam da sua função de educadores", diz o historiador. "Eles [os monarcas] viviam para os filhos, mas com alguma exigência", confirma José Monterroso Teixeira, especialista em História da Arte e da Arquitectura. "O rei institui a prestação de provas públicas e impõe um currículo prussiano, com um corpo de professores muito seleccionado."

O futuro rei D. Pedro V e os irmãos tiveram, assim, uma formação muito diferente da da mãe e mesmo do avô e tio-avô, D. Pedro e D. Miguel. "Nos dois anos que se seguiram à morte da mãe, D. Fernando pôs D. Pedro e D. Luís a viajar pela Europa", porque achava fundamental que eles conhecessem o mundo, explica Monterroso Teixeira.

Filomena Mónica conta o mesmo no seu livro: "Fora do Natal, os príncipes seguiam um horário de estudo disciplinado. O pai não era para brincadeiras. Sempre que podia, dava-lhes lições, sobretudo de Zoologia e Botânica. [...] Muito estudioso, D. Pedro começou logo a fazer exercícios de tradução. Aos 11 anos, foi sujeito, com êxito, a um exame diante dos pais. Estes, e os fidalgos que estavam presentes, ficaram admirados com a forma como ele fizera uma redacção em latim."

A rainha Vitória e Dickens
Os tempos livres eram também cheios de actividades. Na serra de Sintra (D. Maria II nunca chegou a viver na Pena, porque a obra ainda não estava terminada quando ela morreu, em 1853), conta Filomena Mónica, "de dia faziam piqueniques, à noite viam fogos-de-artifício, e às vezes a rainha organizava bailes. Em meados do mês, voltavam para Lisboa".

Os nobres, primeiro, e o povo, depois, vendo os hábitos da família real, entre os quais a tradição da árvore de Natal, começam a imitá-los. O mesmo se passa em Inglaterra. Não é por acaso que se fala em Natal vitoriano - muitas tradições que ainda hoje se mantêm nasceram nesta altura.

Em 1848, o Ilustrated London News publicou um desenho em que se vê a família real em torno de uma árvore de Natal, com a rainha Vitória e o príncipe Alberto a olhar para os filhos, que contemplam, fascinados, as luzes. A publicação da imagem (que, um ano depois, chegou aos EUA) teve um efeito imediato e em muitas casas começou-se a instituir a tradição da árvore (em Portugal, o desenho de D. Fernando não foi publicado por isso o processo terá sido mais lento).
"Hoje tenho dois filhos aos quais posso dar presentes e que, sem saberem bem porquê, estão cheios de um maravilhamento feliz perante a árvore de Natal germânica e as suas velas brilhantes. [A árvore] afectou profundamente o Alberto, que ficou pálido, tinha lágrimas nos olhos e apertou a minha mão com ternura", escreveu a rainha Vitória, segundo conta Anna Selby em The Victorian Christmas.

Ao longo do século XIX, outras tradições natalícias foram surgindo. Em 1843, Henry Cole pediu ao artista J. Calcott Horsley que desenhasse um postal de Natal - o desenho mostrava um grupo de pessoas a comer e a beber em volta da mesa de Natal e tinha escritos votos de Feliz Natal e Bom Ano Novo.

Nesse primeiro ano, imprimiram-se apenas mil, mas, nas décadas seguintes, generalizou-se o envio de cartões de Natal e desenvolveu-se uma indústria de decorações cada vez mais elaboradas. Com a árvore, chegou também a figura de S. Nicolau - que Fernando II encarnava para distribuir os presentes pelos filhos. Terá sido um editor de Nova Iorque, William Gilley, quem, em 1821, publicou um poema anónimo num livro infantil que falava em Santa Claus (o nome virá do holandês Sinterklaas) e no seu trenó puxado por renas. A imagem do Pai Natal como um velhote bonacheirão de barbas brancas carregando sacos de brinquedos surgiu também no século XIX pela mão do cartoonista americano Thomas Nast. Mas quem melhor terá descrito o espírito do Natal vitoriano foi Charles Dickens - não é por acaso que ficou conhecido com "o homem que inventou o Natal". Foi ele quem, em 1843, escreveu Conto de Natal, a história do velho e avarento Scrooge, e são os livros de Dickens que instalam definitivamente no nosso imaginário a imagem da véspera de Natal como uma noite fria, com o nevoeiro a invadir as ruas, e as casas acolhedoras e aquecidas, com a família reunida à volta de um peru e da árvore de Natal - a tal inovação que tanto entusiasmava toda a Europa e que, num texto publicado em 1850, o escritor descreve como "aquele bonito brinquedo alemão".
Alexandra Prado Coelho, in O Público (22-12-2010)
 
Friday, November 26, 2010
 
II- Fumando palavras
...
" Sozinho, fumando, fumando muito, fumando sempre,
aspirando para dentro o fumo, como se fosse a tristeza "
fumando.blogspot.com
 
 
I-Fumando palavras
... ... ...
"Acendo um cigarro ...
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
... ... ... "


Álvaro de Campos, Tabacaria 
Thursday, November 18, 2010
 
Telegrama :
" c i r c u n t r i s t e z a "
 
Tuesday, October 05, 2010
 
FUNDAÇÃO CHAMPALIMAUD
...
Um notável acontecimento :
...
Foi hoje inaugurado o Centro Champalimaud para o Desconhecido, representando o respectivo edíficio um investimento privado de cem milhões de euros ( sem "derrapagens" no orçamento).
...
"Este Centro visa transformar-se num núcleo de investigação por excelência nas áreas do cancro, neurociência e visão.
A partir de Janeiro recebe os primeiros doentes na área da neurologia. Em Abril abre o hospital do cancro. Serão 700, os profissionais de saúde a trabalhar nas suas instalações, muitos deles investigadores estrangeiros interessados em vir trabalhar para Lisboa, por o centro oferecer a possibilidade de metade do horário de trabalho ser dedicado à pesquisa cientifica."
(CM, 05.10.2010)
 
Tuesday, July 27, 2010
 
Salazar
(28.04.1889 - 27.07.1970)
 
Thursday, December 31, 2009
 
Consumo da alma
(2009)
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Música
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Fado:
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- Aldina Duarte :
" apenas o amor " (cd)
" mulheres ao espelho " (cd)
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- Camané :
" sempre de mim " ... ao vivo no coliseu ( cd/dvd).
" como sempre ... como dantes " (cd)
.
- Duarte :
" Aquelas coisas da Gente " (cd)
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- Colectânea :
127 fados (10 cd´s)
.
- Carlos Saura :
" fados " ( dvd )
.
Outra música :
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-Amy Winehouse:
live in London ... ( dvd )
.
-José Cid:
ao vivo no Campo Pequeno ... ( cd/dvd)
.
-Leonard Cohen :
Live in London ... ( dvd )
.
- Maria Bethânia / Omara Portuondo ao vivo ... (dvd)
.
-Martinho da Vila:
ao vivo na Suiça ... (dvd)
.
-Ney Matogrosso:
inclassificáveis ... (dvd)
.
-Paulo Gonzo:
ao vivo no coliseu ... (dvd)
.
-Pedro Abrunhosa:
" intimidade " ao vivo na casa da música... (dvd)
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- Queen:
live in Japan ... (dvd)
.
-Rod Stewart:
live at Royal Albert Hall ... (dvd)
.
-Rui Veloso :
o concerto acústico ... (dvd)
.
-Santana :
in concert ... (dvd )
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-Shakira:
oral fixation tour ... ( cd/dvd)
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Literatura
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MOLDURA SONORA PARA CERTOS SILÊNCIOS...

ARQUIVO
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